O melhor dia da minha vida foi no altar?

“Você não pensa em casar?”, “O quê? X anos de noivado e ainda não se casou?”, “Você não quer ficar pra titia, né?”. Essas são algumas das pérolas frases com as quais as mulheres constantemente são abordadas, questionadas sobre sua feminilidade e seu estado de felicidades, sempre atribuídas a presença de um homem. A mensagem da mídia, hoje, é bem clara. Tudo se trata de “como manter um homem”, “como encontrar um homem”. Felicidade está atribuída ao matrimônio, a tradicionalidade, ao anel de quilates encaixado perfeitamente no anular.

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Na noite de sexta-feira assistimos à peça “Os Homens são de Marte… E é pra lá que eu Vou”, escrita e estrelada por Mônica Martelli, no Teatro Riachuelo.  A peça se baseia na busca pela felicidade através do casamento, tão almejada pela personagem Fernanda. Apesar de ser, em parte, o reflexo das lutas por gêneros à liberdade de trabalho, independência econômica, cosmopolita e bem-sucedida, Fernanda entende como felicidade a união matrimonial. A busca pelo cara “certo”, que a envolverá em diversas situações até cômicas, é a imagem mais pragmatizada da auto realização feminina.

Inspirada em momentos vividos pela própria atriz, a peça tem um texto bastante fraco, pois em muitos momentos, o que deveria ser trabalhado como uma reflexão, é simplesmente dito da boca pra fora, sem qualquer crítica. Não, de forma alguma estou aqui para dizer que toda mulher consegue ser feliz sozinha, isso são escolhas. Ter a companhia de um homem, de outra mulher, ou dela mesma, isso tudo é feito por escolhas próprias. Mas o que não podemos permitir é essa catequização do gênero que ainda permanece em processo nas grandes mídias, na religião e dentro das próprias famílias, de que uma mulher só se torna mulher quando se casa. Isso é uma imagem retrógrada.

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Também devo ressaltar as passagens da aversão masculina ao matrimônio apresentada na peça. A maioria dos homens que a personagem se apaixona foram criados da forma mais prosaica, de diversão no mundo sem qualquer compromisso para sentimentos. Pois nesse mundo, homens não choram (alusão ao sentimento demostrado). E assim a sociedade segue, criando donas de casa e senhores indiferentes à emoção. Casais compactuados a manter a imagem familiar, da senhora serva e do senhor trabalhador. Cada um em seu quadrado. Todos mantendo seus papeis.

No mais, você pode até rir, pode achar até mais engraçado alguém sentado ao seu lado com uma risada super deliciosa e que te contagia. Mas dizer que “Os Homens são de marte…” tem como proposta a reflexão sobre a temática que aborda, é um tanto exagerado. E bem que tinha tudo para ter…

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