Hoje, quando abri o site do Cinépolis para olhar mais atentamente as estreias e exibições da semana, tive uma grata surpresa. Um documentário brasileiro ocupava um dos horários da sala VIP do cinema. Isso por si só já é uma novidade, em um circuito cada vez mais recheado por filmes de ação, fantasias adolescentes, pastelões, comédias românticas e demais produções pasteurizadas, majoritariamente advindas das terras do Obama. Não bastasse essa novidade, a temática do filme também provoca certa surpresa: o filme “Ilegal”, que tem direção de Raphael Erichsen e Tarso Araújo, conta a história de um grupo de mães que luta para tratar seus filhos com um remédio derivado da maconha.

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Katiele Fischer e Anny, de 6 anos, personagens de “Ilegal”

A curiosidade bate. O que esperar de uma obra que une algo tão imaculado quanto a maternidade e a infância a uma droga tão discriminada em terras tupiniquins? Essa é a proposta do documentário que tem sido exibido todos os dias às 22h30 no Cinépolis Natal Shopping. O projeto faz parte da campanha “Repense”, financiada via Catarse e que visa conscientizar sobre os usos da maconha medicinal.

33026“Quando a gente ficou sabendo do CBD e decidimos importar, nós tínhamos a consciência que era um produto derivado da canabis ativa e, por esse motivo, ilegal no país. Mas o desespero de você ver sua filha convulsionando todos os dias, a todos os momentos, é tão grande, que nós resolvemos encarar e trazer da forma que fosse necessário. Mesmo que fosse traficando. E foi o que a gente fez. A palavra é essa: traficar”.

Assim começa a fala de Katiele, uma brasileira que luta para tratar a epilepsia de sua filha de 5 anos com CBD (substância derivada da maconha e proibida no país), no trailer de divulgação do filme “Ilegal”. No filme são abordadas outras histórias além da de Katiele, mas que prometem reflexões e emoções tão fortes quanto e que despertam as indagações necessárias para o bom funcionamento de qualquer sociedade: o que é realmente ilegal para você? É preciso considerar maligna uma prática que salva vidas? A reflexão é válida.

Apesar do horário um tanto inadequado, vale a pena ir conferir o documentário, para quem tiver a oportunidade. Não só pela relevância de seu conteúdo, uma discussão sobre a qual vale a pena se informar, mas também para estimular que mais documentários ganhem espaço no circuito cinematográfico de Natal.

SERVIÇO:

Exibição Documentário “Ilegal”
Às 22h30, no Cinépolis Natal Shopping, até quarta-feira, 15.
Ingresso: R$ 28 (segunda-feira e terça-feira) e R$ 26 (quarta-feira). Valor inteira.

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