A cibernética G3R4Ç40 BR4S1L, a forçada (e embaçada) Meu Pedacinho de Chão e, principalmente, o tenebroso fiasco de Em Família. Parece até que a Rede Globo de televisão nos deu essa fase terrível para a teledramaturgia só para que pudéssemos receber de queixos caídos o presente que foi a grande estreia dessa que é uma das melhores novelas já exibidas. Por isso, chega de desculpinha que é muito tarde, que você tem que trabalhar cedo de manhã, que a Globo mente #ForaGlobo, que você tem coisa mais importante para fazer, porque todo mundo sabe que de onze da noite você ainda está logado no Facebook e provavelmente ainda lendo aquele texto do Gregório Dorvireverererer que você abriu a aba faz duas horas e ainda não compartilhou, porque ainda não terminou de ler (spoiler: você vai compartilhar mesmo sem ler até o final). Ou seja, pare o que quer que você esteja fazendo agora e vá assistir:

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A história contada na novela não é estranha às telinhas. Tendo sua primeira versão exibida em 1974, o folhetim que estou devorando vorazmente via torrent é um remake com algumas modificações. Em 74, a novela tinha abertura desenhada especialmente pela cartunista Marguerita Fahrer e 112 episódios, enquanto que, em 2014, a trama terá 36 episódios, seguindo a proposta dos remakes da Globo, com mais ação e menos enrolação. E também seguindo a tendência de protagonismo feminino em narrativas audiovisuais, o banqueiro Conrad Mahler, de 74, nessa versão é a poderosíssima, belíssima e trilhardária Angela Mahler, interpretada por Patrícia Pillar.

Reprodução / Via gshow.globo.com

Fonte: Buzzfeed | Reprodução / Via gshow.globo.com

Dona da Mahler Engenharia, uma das maiores construtoras do país, Angela abre sua mansão na região serrana do Rio de Janeiro, ao lado de seu sócio Carlos Braga (Tony Ramos {e sim, a atuação está tão boa que não dá nem pra lembrar do comercial da Friboi}), para comemorar o novo empreendimento/projeto/invenção (quem se importa?) no qual os dois estão envolvidos. E sim, é uma festa regada à muito whisky, champagne, presença de celebridades, vestidos lindíssimos, smokings belíssimos, trilha sonora impecável, iPhone 5s, gente bonita, magra, cheirosa e rica e, por incrível que pareça, muito cigarro na telinha da sua TV pra influenciar você que não fuma a comprar logo três carteiras de Derby floresta. Porque, sim, essa é uma festa que realmente dá vontade de estar lá e todos os atores parecem estar realmente se divertindo e se jogando bastante (o que é pouco verossímil, já que nessas festas de rico o pessoal só passa a noite inteira sustentando a pose com o copo na mão) ao som de músicas que vão deixar os hipsters se cortando de raiva. A receita para a festa perfeita (inclusive com globais) quase é abalada por um pequeno acontecimento.

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Ok, tem um morto na piscina. Daniel de Oliveira interpreta o cadáver flutuante em questão e tudo o que se sabe é que ele estava envolvido em tretas mil com basicamente todos os convidados da festa. Bruno estava tendo um caso com a advogada e braço direito de Mahler, Gilda Rezende (Cássia Kis Magro) e mantinha, anteriormente, um namoro apaixonado com a personagem de Sophie Charlotte, Duda. Tudo que você precisa saber sobre Cássia Kis é que ela está indefectível no papel da ácida e fumeta advogada que não perde a chance de dar uma rabissaca ou um olhar carregado enquanto dá uma baforada na sua cara.

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Sophie Charlotte também supera todas as expectativas, provando que sim, ela é atriz e não só uma patricinha de novela das sete. A menina sabe como usar um vestido e também pode matar algum desavisado com o seu olhão bem delineado e afiado, que nos lembra Audrey Hepburn. Charlotte tem dado uma aula de atuação e ficado em par de igualdade com as grandes figuras da novela. Quando ela fica com raiva, dá vontade de queimar o mundo junto com ela e quando ela chora, dá vontade de chorar também. Mas as modas, é sério, as modas d’O Rebu são um show à parte. Desculpe, Duda, mas seus vestidos são até mesmo melhores que sua atuação.

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Dentre os outros personagens, temos uma Vera Holtz desequilibradíssima e sempre embriagada que tem como filha uma Camila Morgado também não muito sensata cuja primeira fala na novela é algo do tipo “eu acho que eu tomei um negócio que não bateu muito bem”. Tem também um jornalista louco, cuja esposa o trai com um traficante que namora uma coroa pelo dinheiro e mais muita gente tranquila e bem intencionada. E provavelmente alguns diversos personagens irrelevantes que não marcaram o suficiente para serem lembrados aqui.

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Após o morto ser encontrado na piscina, uma equipe de polícia, composta por Marcos Palmeira e Solineuza (vulgo Dira Paes), se direciona à Mansão Mahler para tentar resolver o caso e entrevistar todos os convidados. Tudo isso com ajuda de muito flashback e recursos que o “espectador comum” (odeio usar esse termo, mas não sei outra forma de falar isso) não está nada acostumado a ver na TV. A direção de fotografia foi bastante criticada por usar muitas cores frias. Segundo alguns, críticos, essas cores dão sono no telespectador. Eu acho que a pessoa tem sono porque a novela é de onze horas e não por outra coisa, até porque a trama é muito mais interessante do que muitas novelas coloridíssimas #ChoraRecalque.

O roteiro é espetacular, uma aula de como se contar uma história. É impressionante como a gente vai montando junto com a equipe policial as pecinhas para descobrir quem diabos matou o Bruno, esse rapaz tão legal e de bem com a vida que não fazia mal a ninguém.  A trama inteira se passa em duas partes: a festa e a investigação. Em quatorze episódios que já assisti, ainda não se passaram 24 horas (acreditem, isso é possível e não está ficando nem um pouco chato) e eu continuo sem fazer ideia de quem é o assassino.

Então a minha dica é: assistam. Se não na TV, assistam no site da Globo, onde os episódios estão na íntegra, ou baixem por torrent (como eu), mas deem seu jeito. Eu inclusive estou guardando todos os episódios em um HD externo que eu vou enterrar numa cápsula do tempo para reabrir em 10 anos e poder assistir de novo. Façam qualquer coisa mas não se privem do prazer de acompanhar essa novela.  A Globo devia me pagar por fazer tanta propaganda positiva. Fiquem com um desenho que fiz do vestido que a Duda usa na fatídica festa:

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Por Aureliano Medeiros, especial para O CHAPLIN

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