O sarcasmo emocional de “Eu Te Amo”

O espetáculo “Eu Te Amo” chegou no último final de semana aos palcos do Teatro Riachuelo. Foram duas apresentações, no sábado, 16, e no domingo, 17, nas quais o público pôde conferir a montagem. Com texto de Arnaldo Jabor, atuação dos globais Sérgio Marone (cujo corpo arrancou manifestações bem inconvenientes de parte do público presente no início do espetáculo) e Juliana Martins, e direção dos cineastas Lírio Ferreira e Rosane Svartman, a peça se aprofunda na relação dos personagens Paulo – um diretor de cinema em crise – e Maria/Mônica – pseudo-prostituta graduada em Letras e frustrada em todos os aspectos da vida.

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Os dois conhecem-se através da internet e marcam um encontro no apartamento de Paulo. Ambos deprimidos e recém-saídos de relacionamentos fracassados. Maria envolvia-se com Ulisses, um piloto casado que rende a primeira cena – a mais criativa e engraçada – do espetáculo; já Paulo idolatrava Bárbara, uma atriz etérea que o abandonou pelo fotógrafo de seu último filme.

A ironia desse espetáculo começa pelo título. “Eu Te Amo”.  Se o espectador foi ao teatro esperando ouvir declarações e estímulos artísticos para o desenvolvimento do amor eterno almejado por quase todos, certamente frustrou-se. O texto de Arnaldo Jabor, assim como os roteiros de Woody Allen para o cinema, satiriza a vida real e escracha para o público o que há de mais destoante nas relações humanas.

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O texto de Jabor é atraente, mas peca quando entregue para uma dupla ainda pouco madura. Torna-se repetitivo e às vezes exagerado quando proferido pelos dois atores que frequentemente erram a dosagem de suas atuações no palco. Apesar do esforço para me envolver com o espetáculo, esse foi um objetivo poucas vezes alcançado pela falta de empatia de Marone e Juliana.

Não se pode deixar de perceber e elogiar a construção dos elementos cênicos. O cenário, contido mas eficiente, é muito bem aproveitado e o uso do audiovisual como parte da montagem é uma sacada que corrobora para a compreensão do espectador. Um bom exemplo da união das diferentes mídias para um resultado eficiente.

“Eu Te Amo” é uma peça esforçada, com um texto interessante, mas carece de maturidade técnica em sua execução. Apesar disso, provoca boas reflexões sobre relacionamentos, e algumas gargalhadas. Não se deixe iludir pelo título e pelo cartaz que faz a linha produção norte-americana encomendada para o dia dos namorados. Essa não é uma experiência indicada para pessoas excessivamente sentimentais.

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