A internet de uns tempos para cá vem mudando a vida de todo mundo; o homem moderno está a cada dia mais dependente de algo que ele mesmo inventou. Aquilo que chamamos de rede mundial de computadores foi criada inicialmente em 1969 pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América, com o objetivo de que as bases militares pudesse se comunicar com maior facilidade e velocidade. Essa rede foi chamada de ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network). Incrível, não? Mas a internet sozinha é tanto quanto chata, experimente ligar o seu computador a uma rede e depois disso navegar por algumas páginas que você já conhece. Pronto, em quinze minutos você está entediado do que vê! Sempre as mesmas coisas, nada de novo. Essa era a realidade da internet discada, dos anos 90. Quanta nostalgia! Saudades, até. Internet não tinha muita graça, contudo, uma coisa maravilhosa foi criada, espetacular com um conceito inovador. Um lugar onde podemos buscar o que queremos e não ficar pingando sempre nas mesmas páginas estáticas;  surgiu a ideia de um motor de busca. E você pergunta, revoltado: “Hã? Motor de busca? O que a mecânica tem haver com isso?”. Calma. Controle seu ânimos, por favor! Estamos falando do Google.

Um dos teasers mais criativos do filme: a procura do Google

A mais nova aposta da Century Fox é justamente nessa marca tão famosa e poderosa, imagine você, jovem sonhador, que deseja possuir um emprego numa empresa tão promissora do Vale do Silício como a Google. A ideia é simples e ao mesmo tempo bem construída: dois amigos (vendedores por ofício) se metem em uma fria, seu antigo chefe fecha a empresa, alegando que agora as pessoas não precisam mais de relógios (aquilo que os dois vendiam), pois a tecnologia os havia substituído. Não há nenhuma preocupação de dizer se isso é verdade ou não, apenas é colocado que o relógio se ultrapassou nesta nova geração. Logo os amigos Billy McMahon (Vince Vaughn) e Nick Campbell (Owen Wilson) começam a pensar nas possibilidades do que fazer daquele instante em diante. Billy está em crise com a sua namorada o que acaba resultando no fim do relacionamento, enquanto Nick distante dali é convencido pela sua irmã a trabalhar com o seu cunhado numa loja de colchões. Billy então procura pela internet alguns empregos que não pedissem grandes habilidades – um grande fracasso. Encontrando poucas oportunidades, numa tentativa (já desesperadora) busca no Google pelo Google.

Amigos inseparáveis pelo Google: Billy McMahon (Vince Vaughn) e Nick Campbell (Owen Wilson)

Nick já aceitara trabalhar na loja de colchões do cunhado (mas estava mais interessado em pegar em uma bunda grande do que em vender os produtos) e recebe a proposta de Billy para largar o emprego e ir trabalhar para o Google, como estagiário. Com um pouco de resistência, Nick é vencido e logo estão a caminho da entrevista inicial com o Google. Com pouco dinheiro, eles recorrem a uma biblioteca para acesso a internet e entrar na vaga de estágio. Apesar de muitos “não” os dois são aprovados e vão empolgados para o processo de estágio em São Francisco. Lá encontram um ambiente saudável, comida grátis, mulheres interessantes e muitos nerds! Afinal de contas estamos falando do Google, que nerd não gostaria de estar lá?

As pessoas que trabalham no Google precisam de Googlidade! Meio esquisito, mas é isso aí! É dessa forma que o Sr. Chetty (Aasif Mandvi) apresenta o Google e a necessidade de terem pessoas com a mesma crença que o Google, aquilo que fez dele o maior motor de busca: a sua Googlidade. A quantidade de tecnologia, os escorregadores, carros que dirigem sozinhos, é de fazer qualquer adulto acreditar que voltou ao jardim da infância, é isso que os dois amigos encontram a disposição deles. Os estagiários então formam equipes para ganhar as “provas” e assim conquistarem seu sonho de estar numa das maiores empresas dos EUA.  Aos fãs de Harry Potter um motivo (ou não) para assistir e gostar: quadribol como tarefa avaliativa do processo de seleção dos estagiários que terão suas vagas garantidas no Google como Googlers. Sim, todos aqueles que trabalham no Google são chamados de Googlers e os estagiários são chamados de Nooglers, “N” de “new” que na língua inglesa possui o significado de “novo”.

Cena em que Nick Campbell (Owen Wilson, à esquerda) e Billy McMahon (Vince Vaughn, à direita) chegam ao Google

O filme contagia, abusando das imagens e das várias possibilidades da fotografia, como por exemplo, desfocar a imagem, dando a impressão de que estamos vendo na visão de um nerd, pois normalmente (não me julguem por isso) usam óculos. E esse efeito de imagem é utilizado também para ver a percepção do que acontece ao redor dos outros personagens. A luz no filme tem papel importante, para criar foco e mostrar detalhes a quem assiste, fazendo o espectador mergulhar no enredo. A trilha sonora foi escolhida a dedo para deixar quem assiste ainda mais penetrado na história, envolvido em cada cena. Com roteiro e enredo primorosos, “Os estagiários” possui uma história fora do habitual do padrão americano, investe num lado B no decorrer do filme, tornando a narrativa ainda mais cativante.

Alguns erros são cometidos, como por exemplo, somente os melhores são escolhidos para entrarem no Google e como os dois amigos foram tão rápidos os melhores da faculdade de Phoenix? Os dois são os únicos escolhidos sem estarem cursando alguma faculdade dentro do ramo. Um aplicativo de celular é criado da noite para o dia, como gênios da computação que criam as coisas num estralar de dedos. São alguns dos exemplos de problemas que acontecem no decorrer do filme, mas nada que ofusque o brilho alcançado. A classificação está em 12 anos por dois principais motivos: a linguagem utilizada e as cenas em mulheres aparecem desnudas, apenas cobrindo (a maior parte do tempo) as partes debaixo.

A equipe de quadribol está formada

O filme agrada, o conjunto da obra é muito bom, a interação entre os personagens é fantástica, imagem e som impecáveis e, além disso, um final para lá de inusitado, aparentemente óbvio, contudo, não da forma como acontece. É um filme e tanto, para aqueles que estão próximos à área de programação ou para qualquer um que queira conhecer uma obra nova engraçada e bem construída.

Uma das mulheres “interessantes” do Google: Dana (Rose Byrne)

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Analista de Sistemas, nas horas vagas web designer, estudante de Sistemas de Informação, apaixonado por Tecnologia, Informática, videogames, rock n' roll, boa música, teatro, cinema, gibis e quadrinhos. Se um sorriso resolvesse todas as coisas, seria uma pessoa muito bem resolvida com a vida. Além disso, Cristão por escolha e amor, amante das pessoas e do calor humano.

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