A tônica de uma boa “estória” é o vilão. É ele quem imprime o ritmo e dita as regras ao protagonista de como a narrativa será contada ao espectador, seja isto em livros, peças ou filmes.

Em geral, vilões nascem em oposição ao que os protagonistas representam e os ajudam a superar seus limites visando sua ascensão na narrativa e, consequentemente, a sua vitória sobre o conflito estabelecido.

Alguns vilões como Fernand Mondego – do romance de Alexandre Dumas – e Roy Batty – do aclamado Blade Runner – dão o tom aos protagonistas de suas respectivas ficções, fomentando-os a ponto de alcançarem o seu clímax na estória.

Logo, toda boa ficção necessita de um vilão a altura e a DC Comics sempre foi uma especialista em construir antagonistas clássicos para seus heróis, que o diga o Coringa para o Batman e o Lex Luthor para o Superman. Contudo, apesar dos quadrinhos da DC apresentarem vilões eurrítmicos com os heróis, os seus últimos filmes têm deixado bastante a desejar no que diz respeito aos antagonistas exibidos nas produções.

Este fenômeno ocorreu precisamente nos quatro últimos filmes da DC – Esquadrão Suicida, Mulher Maravilha, Liga da Justiça e Aquaman. Estas películas, em via de regra, apresentaram vilões rasos, sem profundidade, ausentes de um pretexto cativante que impregnasse os heróis não apenas em um conflito físico, mas em um embate moral, extraindo deles a sua retumbante “essência heroica”.

Dentre os quatros últimos longas metragens, talvez o vilão menos omisso no tocante à construção da narrativa para a ascensão do herói tenha sido o Ares, em Mulher Maravilha, posto que a cena de seu convite a Diana Prince para se juntar a sua cruzada a fez optar pela humanidade, levando-a a assistir o sacrifício do homem que amava enquanto impedia o deus da guerra de triunfar.

Assim, resta agora apenas a torcida para que o Doutor Silvana honre o manto dos vilões da DC e propicie a Billy Batson a compreensão sobre o seu papel como o campeão da magia em Shazam! em 2019.

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