Para Marte, com amor.

Quem me conhece sabe que sou um tanto afeita por cantores do Reino Unido, principalmente por gostar de rock e amar a língua inglesa devido aos anos em que estudei em um curso de inglês que ensinava o inglês da terra da Rainha. Ozzy, David Coverdale, David Bowie, Ian Gillan, Eric Clapton, Donovan, John Lennon e outros estão na minha listinha de ouro.

Acordar às 08h30 e saber que o David Bowie morreu após uma luta contra um câncer, tendo recentemente lançado um novo trabalho que estava disponível no Spotify, aos 69 anos, foi um soco bem dado no meu estômago.

Bowie morreu há exatamente três dias, após o seu aniversário de 69 anos. Entretanto, a gente pode ter certeza que ele deixou um lindo e imenso legado na música pop, rock, funk, soul e dentre outros estilos que nosso eterno camaleão adentrou.

David Robert Jones (sim, este era seu nome verdadeiro) nasceu em Londres e apresentou várias fases em sua extensa carreira, tendo inspirado diversos artistas. Bowie nasceu em Londres e quando criança participou do coral da escola. Seu pai lhe influenciou a escutar cantores como Little Richard e Elvis Presley.

Aos treze anos de idade, ganhou um saxofone da mãe e chamou Ronnie Ross, músico local, para lhe dar aulas. Na adolescência, tocou nas bandas Kon-Rad, The King Bees, Manish Boys, Lower Third e Buzz, além de ter gravado alguns compactos como Davy Jones.

David Bowie como Ziggy Stardust
David Bowie como Ziggy Stardust

Em meados dos anos 1960, adotou o sobrenome artístico “Bowie”. Seu primeiro álbum, com o nome que lhe tornou conhecido, foi lançado em 1967. Entretanto, foi um fracasso comercial. Foi somente em 1969, com o ‘Space Oddity‘, que o jovem, com então 22 anos, começou a ficar famoso e na época o disco se tornou o quinto mais vendido em sua terra natal.

Além disso, ele é conhecido por várias facetas em sua carreira, como Ziggy Stardust, que incorporou em 1972. Essa é bastante lembrada por ter sido uma das “sementinhas” do Glam Rock. O personagem é um ser alienígena vindo de Marte para salvar o Planeta Terra e que acabou conhecendo o rock and roll. O Stardust era conhecido pelo visual andrógeno, os olhos pintados e as roupas super extravagantes.  O alienígena surgiu nos álbuns ‘The Rise and Fall of Ziggy Stardust” e “Alladin Sane”.

Depois do Ziggy, David Bowie grava ‘Diamond Dogs‘, que é inspirado no mundo pós-apocalíptico da obra ‘1984’, de George Orwell. Mudou-se para os Estados Unidos e lançou um disco com um som voltado para o soul e funk (‘Young Americans‘). Depois dessas publicações, surgiu o álbum ‘Station to Station’ (1976) juntamente com mais um personagem, o Thin White Duke (O  Duque Magro e Branco, em português). Era um homem que cantava canções de amor com uma intensidade desesperada.

Aí vem a trilogia de Berlin, que vem um dos meus álbuns prediletos do cantor. Bowie lançou três discos com músicas mais minimalistas, experimentais, além de ter a presença de estilos como new wave, pós-punk e música industrial. Um dos meus álbuns prediletos daquela época se chama “Low”.  Ainda tem o “Heroes”, no qual tem a música de mesmo nome e se tornou um dos hinos do cantor inglês.

Nos anos 80, Bowie entrou numa fase mais pop, como o álbum “Let’s Dance” e também a criação da banda Tin Machine. Na década de 90, ele lançou quatro discos com influência de música, eletrônica, hip-rock e ainda com uma pegada de rock industrial. Na década de 2000, ele lançou apenas dois álbuns e 10 anos depois, ele finalmente lançou “The Next Day”, cuja capa é uma metalinguagem do álbum “Heroes”.

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Recentemente ele lançou o seu último trabalho, chamado “Blackstar”, que está disponível pelo Spotify. Uma das lições que Bowie pode nos ensinar na vida terrena é que um artista pode ser tudo o que deseja ser, basta um pouco de criatividade e ousadia, coisa que nosso amigo David teve de sobra.