Para que sessão ir e de que sessão correr para terminar bem o seu ano

Como falei no post anterior, tenho visitado bastante o cinema ultimamente. É isso que resulta dar um emprego para uma aspirante a escritora, jornalista e cinéfila. Você torra o salário todo com sessões de cinema, enriquecendo o dono da Saraiva, e engordando na fila do McDonalds. Enquanto minhas taxas estiverem alegando a minha perfeita saúde, não vejo problema em continuar…

Enfim, a questão é que manter esses filmes na cabeça está me enlouquecendo e preciso escrever sobre eles. Por isso, selecionei quatro filmes os quais assisti, e que estão atualmente em cartaz no circuito comercial. Com eles farei um serviço de utilidade pública e adiantarei para você, que está pensando em pegar um cineminha esperto nos últimos dias de 2012, para onde correr e de onde fugir. Os filmes selecionados foram: A Origem dos Guardiões, Cosmópolis, Quatro Amigas e Um Casamento e O Hobbit.

 

 

A Origem dos Guardiões: Sou louca por animação e não escondo. Acho que elas têm sido a cada dia mais bem produzidas e atingem um público alvo cada vez maior. Quando são inteligentes, então, são um gênero de filme imbatível. É o caso de A Origem dos Guardiões. Quem quiser que condene os efeitos especiais, a computação gráfica, a ausência do papel e do lápis… mas, ao meu ver, a nível de animação, a tecnologia é uma bênção! Não me entendam mal, também adoro desenhos tradicionais, constituídos quadro a quadro, em 2D, com traços clássicos, como é o caso da maioria das animações francesas… mas esse boom hollywoodiano me agrada bastante também. Portanto, posso dizer que quando se une isso a um bom roteiro e personagens interessantes, o resultado é garantia certa de entretenimento e, dependendo do filme, reflexão. A Origem dos Guardiões tem como personagem principal Jack Frost – o homem do gelo, e se passa no período da Páscoa, em que Os Guardiões (Coelho da Páscoa, Papai Noel, Fada do Dente e Sandman) passam por uma crise existencial – literalmente – devido ao trabalho incessante do recalcado Breu. Esse último deseja ser tão acreditado quanto os quatro primeiros e para isso, tenta atrapalhar o trabalho deles. Jack Frost tem o poder do gelo e não sabe bem qual o seu papel no mundo, até ser eleito também um guardião. O filme é um conto infantil, em que, atrelado aos personagens principais, também são disseminados valores e sonhos. É um lindo filme, tanto por seu enredo, quanto por sua estética. Está na lista daqueles em que vale a pena pagar o ingresso, sem medo de ser feliz, numa sessão de fim de ano.

Cosmópolis: Leitora assídua – embora atasada – da Revista Bravo! que sou, acabei me deparando com uma matéria sobre o novo filme de Cronenberg, tendo como protagonista Robert Pattinson. Não me interessei muito pelo enredo em si, mas fiquei curiosa. E foi essa curiosidade que me levou aos cinemas quando Cosmópolis estreou na sessão cult do Cinemark semana passada. Devo dizer que escrevo sobre esse filme com bastante receio de ser julgada burra. Isso porque ou eu realmente o sou, ou o filme é uma merda, visto que não consegui acompanhar dois minutos de diálogos seguidos sem me perder na temática.  O máximo que consegui arrancar do meu entendimento foram algumas intenções de câmera ou a compreensão de alguns elementos estéticos e suas funções, como por exemplo, a limusine em que o personagem principal vive. Bem, a impressão que dá é que o filme é inteligente demais para ser adaptado para as telonas. Ou talvez, Cronenberg não soube fazê-lo. Talvez, apenas talvez, os diálogos façam mais sentidos escritos, contextualizados… Ou talvez, eu deva admitir que sou uma espectadora medíocre mesmo, vai saber. Mas que foram R$ 5,00 e duas horas perdidas da minha vida, ah, foram.

 

Quatro Amigas e Um Casamento: Esse filme é tão ruim, mas que de tão ruim, nem merece muito espaço nesse post. Portanto, resumirei para vocês: sabe aquelas produções que têm consciência de serem ruins e, para compensar, chamam uma atriz com nome para ver se vende? Só que a própria atriz fica frustrada, até consegue atuar bem, mas como todo o resto é ruim, a coitada fica deslocada. Foi o que aconteceu com Kirsten Dunst no filme. Linda e talentosa, mas em meio a uma péssima produção, atuações medíocres e um enredo medonho, para ser simpática, que sequer se dá ao trabalho de ter uma finalização de vergonha, nem mesmo ela conseguiu salvar muita coisa. Não vejam no cinema, não baixem, não se interessem. Quatro Amigas e Um Casamento é um filme completamente dispensável em qualquer vida.

 

O Hobbit: Sinto que desrespeitarei esse filme por falar dele aqui. Não que ele seja ruim, muito pelo contrário, mas acho que a essência da produção seria melhor passada por alguém que entende mais da obra de Tolkien e do trabalho de Peter Jackson com ela. Não li os livros e quando tentei assistir aos dois primeiros filmes (dez anos atrás), dormi. Sim, me condenem. Mas a questão é que fui carregada para ver O Hobbit, mesmo sem entender lá muita coisa. Logicamente, se você tem familiaridade com o tema, é bem mais fácil reconhecer os anões, hobbits, elfos, cosplays-de-freddy-krueger e demais criaturas fantásticas. Mas independente disso, é impossível não se prender ao enredo e à produção deslumbrante do primeiro filme da trilogia (?) d’O Hobbit. Até porque, a história de O Senhor dos Anéis veio após a história contada em O Hobbit, portanto, com um pouco de esforço, até para os hereges que não assistiram aos anteriores (a la Andressa) não é tão difícil acompanhar. Vale mencionar que esse é o tipo de filme em que a produção/direção é tão boa, que até os galhos das árvores atuam bem. Achei Cate Blanchett estranha no papel que ela faz (me julguem!), mas todos os atores estavam em sintonia no filme. Tudo estava em sintonia, na verdade. Que venham os próximos!