Em resultado publicado pela Hollywood Reporter na semana passada, Friends foi eleita a melhor série de todos os tempos. A revista ouviu 2.800 pessoas da indústria cinematográfica, incluindo 779 atores, 365 produtores e 268 diretores, entre outros. Que Friends é a série mais popular da história é indiscutível e os números que definem os seus dez anos (entre 1994 e 2004) no ar facilmente comprovam isso, mas ser a mais popular não necessariamente a faz ser a melhor. Ou faz?! Adoro uma polêmica, mas nessa não vou entrar. Ou já entrei?! Rs.

Para mim o importante é que, concordando ou não, esse resultado possa ser aceito serenamente por qualquer fã de seriado. A discussão e as comparações que surgiram não dizem respeito ao conteúdo da série em si, mas ao significado da palavra “melhor” para cada um. O sucesso de Friends se apoia basicamente em três pilares: personagens bem construídos, leveza e identificação do público. Esses três fatores se complementam mutuamente, elevando as histórias dos seis amigos a um nível que eles sequer imaginaram alcançar. Acompanhem comigo:

Monica

Courteney Cox dá vida a Mônica

Monica é uma ex-obesa, chef de cozinha, cheia de TOC e super competitiva. Rompe com o cara que parecia ser o seu grande amor por lhe negar o sonho de sua vida: ser mãe. Após descobrir o amor da sua vida no seu melhor amigo e casar-se com ele, descobre que eles não podem ter filhos biológicos e resolve adotar um bebê (que felizmente acabam sendo dois).

ross-geller

David Schwimmer interpreta o arqueólogo Ross

Ross é um paleontólogo que tem seu casamento abruptamente terminado porque descobre que a esposa é homossexual, logo depois ele vê sua paixão da época de escola voltar a sua vida para mexer com seu coração e em seguida, descobre que sua ex-esposa lésbica está grávida dele. Ah, a paixão da época de escola é Rachel, que aparece na série após largar seu noivo no altar. Ela sempre foi mimada pelos pais ricos e agora vai aprender a se virar sozinha, com o próprio dinheiro e do seu próprio trabalho. Depois de idas e vindas com Ross, em um flashback, ela acaba engravidando.

Chandler

Matthew Perry é o sarcástico Chandler

Chandler, que casa-se com Monica, é eternamente descontente com seu trabalho, onde permanece quase até o fim da série por não gostar de mudanças bruscas. Inseguro com mulheres costuma usar o humor como mecanismo de defesa.

Joey

Matt LeBlanc é o comilão Joey

Joey é o garanhão da série, que busca eternamente sua consagração trabalhando no que ama: atuar, enquanto faz pequenos papéis e acaba desperdiçando grandes oportunidades.

phoebe

Lisa Kudrow interpreta a excêntrica Phoebe

Phoebe é a louca esotérica, que tem uma irmã gêmea atriz de filmes pornô. Vegetariana, musicista e desapegada de convenções sociais, acaba tendo um casamento tradicional com um pianista (ex-advogado) que a disputou com um físico cientista.

Na letra fria do texto vocês conseguem ver a quantidade de drama nisso tudo? E vai dizer que você não se identificou com nada? (E olha que estou resumindo 236 episódios e muitas reviravoltas em 264 palavras). Mesmo tendo suas raízes na comédia, Friends trata sim, de temas um tanto pesados (e alguns bem polêmicos pra década de 90). Cada personagem tem, além de suas características pessoais, seu arco narrativo.

E essa é a beleza deste seriado, ele pega todos esses temas complicados e os coloca de uma forma leve, nos permitindo identificação sem nenhum peso. Enquanto rimos, a história vai se desenrolando. Enquanto rimos com os personagens, rimos de nós mesmos, e conforme é suprido o peso dos problemas cotidianos dos personagens, tiramos o peso dos nossos próprios conflitos diários. Ninguém é uma Rachel pura ou um completo Joey, cada um de nós tem um pedacinho deles. A partir do que é oferecido, nos identificamos com todos e isso nos puxa “magicamente” pra dentro dos apartamentos Nova Iorquinos e do Central Park sem nem mesmo percebermos.

Claro que Friends sofre com as comparações. Nos últimos anos nos acostumamos com séries como Breaking Bad, Mad Men e Game of Thrones, que primam pela excelência técnica em todos os aspectos, que contam com investimentos pesados e que são filhas de uma conjuntura técnico-econômica ímpar, praticamente cinema em formato episódico – uma invenção midiática que deu certo. Friends é de outra época, onde seriados de televisão eram seriados de televisão, havia quase que um estilo artístico, uma linguagem específica, quase que um gênero. Quando Friends terminou, depois de dez anos no ar, em 2004, ainda nem começávamos a imaginar seriados de TV como esses supracitados.

Friends é arte? Provavelmente não, mas é entretenimento da maior qualidade. Por quê? Porque nos entretém (não é esse o objetivo?), nos faz rir enquanto fala de temas sérios, nos faz chorar por besteiras. E isso, amigos, não é nada fácil. Eu entendo perfeitamente quem argumenta que o seriado não é um primor em qualidade técnica, não possui o figurino mais inventivo e sofisticado, nem iluminação e cenografia sublimes. Contra fatos não há argumentos, não é mesmo?! Mas, como já disse anteriormente, não é aí que reside a fortaleza da história dos seis amigos, é em nós mesmos, rindo feito bobos ao som das risadas que vem da televisão. O trunfo de Friends está em como ele nos faz sentir. Mas, se mesmo assim, vamos nos ater apenas aos “acontecimentos frios”, o fato é que Friends foi eleita a melhor série da história da TV.

2 Responses

  1. Avatar
    Lucio flavio

    Eleger uma série de comédia como a melhor de todos os tempos superando séries dramáticas sensacionais como Breaking Bad e The Sopranos. QUE LIXO!

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