Porque devemos ser todos [Des]enquadradas

 

Trabalho de Syrlanney “Magra de Ruim”

Jogar as cartas na mesa e discutir a relação de consumo e produção das HQs e ilustrações por mulheres. Esta é a proposta da primeira edição do [Des]enquadradas: Repensando e Recriando a Atuação Feminina no Mercado de Ilustração e Quadrinhos no Brasil. Nos dias 21 e 22 de novembro, o Porto Iracema das Artes, em Fortaleza, é tomado por mesas de debate, sessões de autógrafos e oficinas ministradas por quadrinistas, ilustradoras e roteiristas com destacada atuação na área.

Comenta-se muito sobre o aquecimento do mercado consumidor e produtor de quadrinhos. Para além da euforia, é fato como algumas querelas da área ainda são mantidas em surdina. A mão de obra feminina e como as mulheres são representadas no universo das HQ’s ou ilustrações, ainda são temas carentes de debate.

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“Hoje, as mulheres leem mais e produzem mais quadrinhos” é o que afirma em material divulgado à imprensa, Rute Aquino, idealizadora do encontro. Ainda este ano, O CHAPLIN apresentou um recorte histórico da participação das garotas na labuta das HQ’s. Vale a pena dar uma conferida para quem ainda tem alguma dúvida ou pretende conhecer mais da atuação feminina nos gibis.

Nomes de peso nas HQs

Autoras como Ana Luiza Koehler, Cris Peter, Mariamma Fonseca e Sirlanney Nogueira são alguns nomes confirmados nos debates, oficinas e sessões de autógrafos. O [Des]enquadradas é totalmente gratuito e as inscrições para oficinas devem ser feitas por meio deste link. Para o acesso aos debates não é exigido inscrição prévia, mas a entrada obedece à capacidade do espaço.

Em conversa a O CHAPLIN, uma das realizadoras do encontro, Amanda Alboino, detalhou que a escassez de eventos voltados exclusivamente para quadrinhos em Fortaleza e a falta de visibilidade de produtoras de quadrinhos incentivaram a realização do evento. Para o futuro, as realizadoras pensam em ampliar a atividade para três dias ou mais. “É tanta coisa pra ser discutida, tanta gente boa pra convidar”, aponta Alboino.

Primeiro contato com os quadrinhos

As primeiras leituras de Turma da Mônica, Mafalda, Calvin e Haroldo jogaram Alboino no universo das HQ’s. A paixão em comum com o namorado também ajudou.  Com o tempo, resolveu fazer os próprios quadrinhos. Parou por conta do período final da graduação em Comunicação Social e pela organização do [Des]enquadradas. “Pretendo voltar a desenhar ano que vem”, resolve.

Vai com tudo, Amanda. Já, aos estimados leitores um aviso: conversaremos mais sobre o mulheres e HQ’s durante a cobertura do [Des]enquadradas. Até lá.