Remember me: um game para ficar na memória

Desde a abertura desta seção de games, não me aventurei em games que possuíssem uma grande profundidade em sua história, desta forma desenvolvi análises a respeito de jogos que não deixam de ser recorde de vendas e de gameplay (como é o caso de PES e Killing Floor). Contudo, os mesmos não possuem profundidade de enredo, o que pode afastar muitos gamers. Alguns jogos se salvam pela história envolvida no jogo, enquanto outros possuem uma jogabilidade incrível e um enredo desastroso (talvez eu considerasse Watch Dogs nesse quadro, mas falaremos sobre ele numa outra ocasião).

No mercado atual, há inúmeros games que são esquecidos pelos players, que são massacrados pela imprensa especializada e acabam vendendo muito pouco ou até mesmo ganhando haters sem um fundamento muito sólido a respeito do título. Neste cenário adianto minha opinião. Remember me é a escolha de hoje para a análise e não é segredo o que penso a respeito dele, mas vamos aos pontos da análise.

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Ficha técnica

Desenvolvedora Dontnod Entertainment1
Distribuidora Capcom
Plataforma PlayStation 3, Xbox 360, Microsoft Windows
Data de lançamento América do Norte: 4 de Junho de 2013
Europa: 7 de Junho de 2013
Gênero Terceira pessoa, ação-aventura, stealth

Enredo

Parte complicada, complexa, elaborada e tudo que você imaginar de se trabalhar neste game da Capcon. O player joga na pele de Nilin, que é uma ativista da organização dos Errorist num futuro distante, em 2084. Ela é a principal ativista e por isso teve suas memórias apagadas pelo o seu ex-chefe Memoryeyes. A personagem é colocada para morte, porém tem sua vida salva por Edge, líder dos Errorists.

Neste futuro, uma empresa chamada Memorize desenvolveu uma tecnologia capaz de armazenar as memórias das pessoas em dados, feito um arquivo de computador mesmo. Veja a loucura, se você tivesse alguma memória, era muito simples, vá até a Memorize e essa memória ruim será simplesmente deletada de sua mente. Simples e indolor. Radical! O mesmo vale se você desejar uma memória feliz, era só escolher e a “aplicação” era feita.

O grupo a que Nilin pertece é contra a tecnologia que a Memorize criou, chamada Sense. Este é o equipamento instalado na nuca das pessoas que permite que suas memórias sejam armazenadas e manipuladas. A história se passa numa Neo Paris (em que Memorize possui sede). Todos os locais, objetos e coisas são tecnológicos. É possível ver propagandas, painéis eletrônicos e tecnologia em cada espaço da cidade.

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Neo-paris de Remember me

Uma pergunta pode rondar a sua cabeça: “Matheus, muito legal, mas temos isso de tecnologia hoje em dia, qual a novidade nisso?”. Muito simples, a tecnologia avançada está em cada canto! Não importa se num cenário estamos numa classe média ou depois exploramos uma favela, encontraremos a mais alta tecnologia na mão das grandes e pequenas pessoas (socialmente falando). Este tema é profundamente discutido, trazendo uma pauta sobre como estamos lindando com a tecnologia e para onde desejamos chegar com os nossos avanços tecnológicos. Genial!

Pense você, caro leitor, não seria nada surpreendente que algo aconteça nesse tom de conversa, que daqui alguns anos haverá anúncio de “Limpamos suas memórias ruins por apenas 299 reais! Em até 5x no cartão!”.

Remember me não se preocupa em apenas mostrar o avanço dessa tecnologia, como também mostrar os perigos, que são os humanos com “desorganização memorial” (se é que isso existe, chamarei assim). Esses humanos passaram por várias modificações em suas memórias, porém tiveram confusões mentais, problemas não previstos que simplesmente arruinaram com a sua saúde mental. O resultado: esses humanos com sequelas irreparáveis são chamados de Leapers, ou melhor dizendo, zumbis de memória.

Não poderia ser mais bizarro, contudo incrível e divertido. Humanos que são viciados em memórias de outras pessoas, que desejam boas lembranças ou qualquer tipo de memória de outras pessoas. Esses Leapers ficam à margem da sociedade, como drogados, viciados que não possuem cura, mas que são extremamente violentos e possuem modificações em seus gêneses, fazendo com que tenham aparência esquisita e algumas habilidades, como ficar invisível, super velocidade, super força e destreza extremamente apurada!

Oi
Oi, Leaper!

Certo você de pensar que acabo de apresentar nossos inimigos no decorrer de 80% do gameplay, é exatamente o que acontece. Somos obrigados a abater os Leapers e soldados da Memorize, além de algumas sentinelas.

Nilin com sua perda de memória acaba se tornando instável, pensante e incansável na busca pelo o que perdeu. Com a ajuda de Edge, monta o maior quebra cabeças de sua vida para entender de onde veio e qual era o seu papel dentro de uma sociedade refém a um grande império tecnológico.

A Dontnod Entertainment inseriu no game um sistema de capítulos que dá a ele um ritmo meio “novelístico” ou de seriados, como preferir. Cada capítulo conta com elementos que fazem a introdução do que aconteceu anteriormente na história e depois insere-se no desenvolver da narrativa, tornando a jogatina bastante interessante. O jogador sente-se incitado a jogar cada capítulo para entender mais e mais da história e encontrar seu desfecho.

Pontos Positivos

Destacando o que há de bom no game, logo vem a mente: sua qualidade de ambiente. Dontnod Entertainment caprichou nos detalhes de ambiente de Paris, tornando uma nova experiência cada entrada em um novo ambiente. O cuidado da fotografia e visual do game são absurdamente altos, os gráficos são bem feitos e desenhados. O sistema de combates parece ter vindo diretamente dos games do Batman.

Se você jogou um dos games da franquia, tirará o sistema de combate de letra. Apesar do sistema idêntico (cópia bem feita mesmo!), os inimigos dão um pouco mais de trabalho para serem mortos, decorar os combos torna-se a sua única arma de vitória, alguns combos dão vida para Nilin, outros geram mais dano do adversário e vários skills são exploradas para que o player possa melhorar Nilin ao seu gosto, criando os combos da maneira que achar melhor. Há a possibilidade de finalizar os adversários, sobrecarregando suas memórias.

A movimentação da personagem é natural e realista, a expressão facial é vívida e igualmente natural, o que torno o game mais prazeroso ainda de ser jogado. Nilin era a principal ativista do grupo Errorist devido a sua habilidade de remixar memórias. Remixar uma memória é reescrevê-la, encontrando possíveis falhas (que o game chama de bugs) e explorando-as; desta forma, uma memória de algo ruim pode se tornar bom e vice versa. No game a possibilidade de remixagem acontece umas sete vezes, que são muito bem feitas e fazem você mergulhar na história e querer entender o que se passa em cada instante.

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Pontos Negativos

Apesar dos acertos apresentados, existem algumas falhas que atrapalharam o sucesso completo do game. Apesar de um sistema de combate fluído, às vezes ele é lento para entender os comandos que executamos, o que pode causar certa irritação no jogador que deseja passar por determinada parte do jogo com velocidade e não consegue, devido a não resposta desejada dos comandos do jogo. Isso também carrega outro problema do game: os combates, apesar de divertidos no começo, podem se tornar difíceis e chatos se você não decorar os combos. Minha dica é: desenvolva bem três combos, com skills que vão te ajudar recuperando vida, especial e aumentando o seu dano nos inimigos. Não saia apertando os botões como um louco, em Batman isso funciona bem, enquanto que em Remember me não, podendo tornar o jogo bem difícil.

Apesar de legais e extremamente envolventes, as remixagem (sendo um dos pontos altos do game) são muito poucas, pelo enfoque que é dado. Não há liberdade para sair remixando as memórias do seu cachorro ou daquele cara chato da cutscene. Esqueça, esse elemento faz parte da história e não é parte do nosso brinquedo num mundo aberto. Remember me é um jogo linear e sua habilidade tem hora e data marcada para acontecer, assim como o desenrolar da história.

VALE A PENA?

Remember me é um dos melhores jogos que já tive a oportunidade de experimentar, o enredo é simplesmente fascinante, é próximo ao real e envolvente o suficiente para você fuçar a internet atrás de informações a respeito. Os personagens são carismáticos e bem construídos com contexto histórico dentro do enredo. O sistema de combate, a forma como o game trabalha a jogabilidade não é nenhuma novidade, Dontnod Entertainment pegou os elementos que lhe agradavam nos jogos do Batman e adaptou ao seu gosto. Isso não é de todo ruim, mas é bem interessante observar alguns elementos foram bem utilizados, como por exemplo, o sistema de combates.  Todavia, também a seus problemas com o sistema de combate que parece falhar. O game conta uma grande história, que é ofuscada com seus problemas.

O foco no game não pode ficar por conta somente das remixagens, mas deve-se explorar todos os elementos que são oferecidos. A Capcon pecou feio nesse quesito com Remember me, focando muito na remixagem e se esquecendo do resto.

RESUMO

Pontos Positivos

  • Cenários bem desenhados;
  • Sistema de combate divertido;
  • Skills de habilidade para serem melhoradas e equipadas em combos;
  • Movimentação natural do personagem;
  • Expressão facial natural;
  • Remixagem de memórias divertida.

Pontos Negativos

  • Comandos podem demorar a responder;
  • Combates com alto nível de dificuldade;
  • Poucos momento de utilização habilidade de remixagem da personagem principal;
  • História linear.

Confira um gameplay: