“Resident Evil 6” não agrada fãs de cinema – e nem de games

Há quase 15 anos, chegava às telonas Resident Evil: O Hóspede Maldito, o primeiro de uma série de seis filmes baseado no jogo de videogame homônimo. Durante todo esse tempo, o diretor Paul W. S. Andersen tentou imprimir, usando as técnicas cinematográficas, uma história diferente daquela que milhares de jogadores tinham acesso nos consoles. Fez isso com algum sucesso em cinco filmes, mas não conseguiu lograr esse êxito no último episódio da saga, Resident Evil 6: O Capítulo Final, que estreou semana passada em várias salas do país.

No filme, após ter sua “humanidade” devolvida por Wesker, Alice acorda em Washington D.C e, ao receber uma missão de um improvável aliado, ela tem que voltar a Raccoon City – cidade onde tudo começou – para impedir Wesker e o Dr. Alexander Isaacs, funcionários da Umbrella, de executar um ataque final aos sobreviventes do pesadelo zumbi. Lá, ela encontra alguns antigos amigos, como Claire Redfield, que a ajudam na missão de 48 horas para salvar o mundo.

O primeiro (e o mais gritante) aspecto em que o diretor peca é a subutilização do 3D. São mínimos os momentos em que os espectadores identificam a função principal da técnica, que é a de reforçar a percepção de profundidade. Isso se deve, na minha opinião, à falta de integração entre a função 3D e o tipo de fotografia escolhida, que valoriza os tons escuros e, por isso, dificulta até mesmo enxergar os efeitos.

Cena de ação em ‘Resident Evil 6: Capítulo Final’

Também existem problemas na montagem da película. Andersen usa demasiadamente os cortes secos, principalmente nas cenas de ação com a protagonista Alice (Mila Jovovich). É praticamente impossível acompanhar os movimentos da personagem principal. Essa deve ter sido a estratégia para ajudar os espectadores a crerem na fácil sobrevivência às armadilhas intransponíveis montadas por seus algozes.

O roteiro explora um lado mais humano de Alice e justifica os acontecimentos que desencadearam a saga com uma história ligada ao extremismo religioso. É bastante interessante e faz o espectador pensar que Andersen criou um produto próprio, com poucas ligações com o jogo. Essas são algumas das boas características do roteiro. Mas só.

Como é possível perceber na sinopse, o filme usa a fórmula do “voltar para onde tudo começou”, bem batida pelos filmes de sequência. Outra evidência de um roteiro mal desenvolvido é o fato do filme responder, apenas nos 30 minutos finais, algumas dúvidas de uma saga inteira. Não fez sentido, também, a formação de um casal no filme, uma vez que em nada acrescentou para a história. Por fim, nem os fãs escaparam do mau desenrolar do roteiro, pois passaram longe das telas os destinos de alguns personagens secundários.

Destino de alguns coadjuvantes fica sem resposta

Ao final do filme, é possível compreender que, apesar do título em português citar a expressão “capítulo final”, há espaço para mais um episódio da saga. Torço bastante para que este espaço se concretize, pois os cinéfilos merecem um desfecho com uma qualidade cinematográfica aceitável. E os fãs do jogo também.