Retorno de Androide Sem Par é uma provavél dica para a cena alternativa 2015

Domingo (23) foi dia de rolé e o único lugar em Natal que me chamava atenção no final do feriadão era o Ateliê Bar, na Avenida Duque de Caxias. As apresentações de hoje me deram uma sensação do que esperar para 2015, um aperitivo.  Era o retorno da banda Androide Sem Par, este é um projeto do vocalista do AK-47, Juão Nin, que lançou em 2013 o debut album, intitulado de “Grave”, com produção do consagrado músico potiguar,  Luiz Gadelha. O nome da banda é uma homenagem à música homônima de Cazuza.

Juão é conhecido pelo seu lado exagerado e performático. Quem já foi ao show do Ak-47 sabe das atuações dele, dos trajes excêntricos, como casaco feito por baratas e isto atraía a atenção de mais e mais fãs da banda de rock natalense. No início dos anos 2010, ele deixa o Ak-47 em coma e investe no Androide, com letras que falam de amor, sentimentos e emoções, mas sem esquecer a sua essência.

Androide Sem Par

Androide Sem Par

Eram 17h e a fila para entrar ao show estava enorme. A maioria do público era composta por gente de 15 a 25 anos. Além disso, a Androide Sem Par e as outras que iriam tocar antes têm sonoridades similares, fãs parecidos, apesar de algumas diferenças.  Resumo dos três shows: lindo, romântico e intimista.

Vale lembrar que estas três bandas fizeram neste feriadão uma mini-tour nas cidades de Recife, João Pessoa e finalizaram neste domingo em Natal. Sobre o Ateliê Bar, o local é interessante. O local é aconchegante, muros grafitados e dentro do local tem obras do artista plástico Flávio Freitas, que tem o ateliê na parte de cima do local. Além disso, o local oferece todos os tipos de cervejas (inclusive as gringas com um preço razoável) e petiscos (pastéis, dadinhos de tapioca, fritas…).

Forasteiro Só abre para o Androide Sem Par

Forasteiro Só abre para o Androide Sem Par

O primeiro show ficou por responsabilidade da banda Forasteiro Só, que possui uma sonoridade bem indie como aquelas bandas psicodélicas dos anos 1970. Também se mistura com o MPB e pop rock brasileiro moderno, como Silva, Cícero, Moptop e Vanguart. É o mais novo projeto de Lipe Tavares, ex-integrante do Seu Zé.

As letras alternam para amores fracassados, idealizados e os romances que deram certo.  O clima boêmio da Ribeira e o som romântico do grupo fazia casais velhos e novos se unisse e aconchegasse. À medida que a banda tocava, mais eu via casais abraçados e se beijando ao som do grupo.

Conheci esta banda neste show e acredito que tem tudo para crescer em 2015. É formada por Lipe Tavares (voz e baixo), Diego Bezerra (guitarra), Gustavo Leitão (guitarra) e Telo (bateria). Eles lançaram o álbum em outubro deste ano, o “Chuva”, e fica aqui a promessa de uma resenha muito em breve.

Já a segunda banda que se apresentou foi a Plutão Já Foi Planeta, que recentemente ganhou o troféu de “Revelação do Ano” do Prêmio Hangar de Música 2014. A banda que tem uma sonoridade mais indie vindo do interior do Reino Unido com elementos brasileiros, como Mutantes, e um pouco de pop.

Foi neste período que as pessoas ficaram próximas da banda, gritos, cantando as músicas, principalmente as mais famosas, como “Viagem Perdida”,  e dançando ao som do grupo.  Eles tocaram as músicas do primeiro álbum, “Daqui Para Lá”, que foi lançado neste ano.

Plutão Já Foi Planeta

Plutão Já Foi Planeta

O perfil completo sobre o grupo pode ser visto aqui. Plutão é composta por Natália Noronha (voz, baixo, guitarra), Sapulha Campos (voz, guitarra, ukulele, escaleta), Gustavo Arruda (voz, guitarra, baixo), Vitória de Santi (baixo, teclado) e Raphael Andrade (bateria).

E, finalmente, chega Androide sem Par para fechar a noite, por volta das 20h. Era tanta gente para vê-los, que tinha gente em cima da mesa, parecia uma muralha.  “É muito bom tocar em casa, obrigada pelo carinho”, disse Juão Nin no início de sua apresentação. O grupo tocou as músicas do “Grave”, algumas com novas roupagens.

Apesar de ter ficado um tempo fora, a banda mostrou que o som continua o mesmo ou até mesmo melhor. O público estava bastante animado, gritando e cantando junto.

Ateliê Bar foi palco para festival de três bandas (Fotos: Lara Paiva)

Ateliê Bar foi palco para festival de três bandas (Fotos: Lara Paiva)

As letras do Androide são carismáticas e falam de acontecimentos com os quais as pessoas se identificam. O som deles está mais amadurecido do que a apresentação que vi no finado Jazzy Rocks Bar. Portanto,  aguardo ansiosamente pelo segundo álbum. A interação entre público e bandas crescia à medida que avançava os shows. A impressão que fica é que a galera realmente foi à Ribeira por conta das bandas, não porque só tinha essa opção para sair no domingo. Tanto que quase todos os CDs das respectivas bandas foram vendidos.

Como falei inicialmente, acredito que isso seja o aperitivo para 2015 e quero ouvir mais bandas e artistas potiguares para saber o que posso esperar da cena alternativa do ano que está quase chegando.

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