Faltando menos de 24 horas para o fim de ano, escrevo uma retrospectiva sobre algumas coisas que rolaram ao longo do ano na TV. E teve muita coisa. Muito se falou em Netflix, algumas séries que estavam mal das pernas se recuperaram, outras derraparam, alguns sucessos inesperados, outros MUITO esperados, perdas importantes dentro e fora da ficção, além de certas despedidas nem tão sentidas. Assim foi 2015.

De Demolidor à Jessica Jones: parceria entre Netflix e Marvel prova-se um sucesso

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Lá em 2013 foi anunciado o início de uma parceria que prometia ser longa entre o estúdio Marvel e o serviço de streaming Netflix. Correspondendo a todas as expectativas, Demolidor e Jessica Jones, primeiros frutos desse casamento, arrasaram em 2015. Ambas as produções conquistaram público e crítica. Dentre os maiores elogios, a qualidade estética de Demolidor (ahhh aquela abertura!) e o inteligente roteiro de Jessica Jones, exaltando um forte elenco feminino e apresentando um vilão que vai além da ficção em muitos aspectos, e toda a metáfora acerca de relações abusivas foi um enorme acerto. Para o próximo ano fica a ansiedade para as sequências dessas duas séries, que claro foram renovadas, além das próximas estreias.

A ascensão e queda de True Detective

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True Detective foi um dos grandes destaques de 2014, falado aqui na retrospectiva do ano passado, estreou 2015 com a bola toda sendo um dos destaques do Globo de Ouro, mas não manteve o nível e a segunda temporada foi, se não um fracasso completo,  uma enorme decepção.

A contestada morte de Jon Snow

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Não é Game of Thrones se não houver o menos uma morte polêmica para se comentar até o início da próxima temporada. Depois de Ned Stark,  Robb Stark, Catelyn Stark, Joffrey, e Oberyn Martell (para resumir), foi a vez de Jon Snow dizer adeus (a essa altura do campeonato, suponho que não podemos mais considerar essa informação um spoiler, sim?). Se a morte do personagem já estava prevista, a despedida definitiva não. E o maior problema foi o fato de tanto a produção como o ator Kit Harington em muitas ocasiões terem deixado no ar a possibilidade de esse ter mesmo sido o fim da linha para o corvo. Após Harington ser fotografado no set da sexta temporada fica o suspense se o ator ficará na série ou não.

Two and a Half Men chegou ao fim e ninguém notou

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O show de Charlie Sheen foi por muito tempo uma das mais importantes sitcoms da TV americana, mas após a polêmica envolvendo Sheen e o produtor Chuck Lorre, que resultou na saída do ator, e o interesse inicial em seu substituto Ashton Kutcher, Two and a Half Men foi perdendo a graça. O resultado é que após 12 anos o show terminou e ninguém pareceu notar. Foi em fevereiro, vale ressaltar.

Sense8 e a redenção dos irmãos Wachowski

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Quem assistiu ao tenebroso O Destino de Júpiter no início do ano, ou ao menos viu o decepcionante capítulo final da franquia Matrix, tinha sérios problemas em crer que uma produção dos irmãos Wachowski poderia voltar a empolgar. Devo admitir que eu tinha os dois pés atrás com Sense8. No entanto, a série produzida pela Netflix foi um tremendo sucesso, mesmo tendo dividido a crítica. Eu vejo muito de Matrix na produção. Mesmo que o enredo seja bem diferente, existe aquela promessa de novidade. Já renovada, a segunda temporada da série é uma das estreias mais esperadas de 2016, sem dúvidas.

Os 20 anos de Chiquititas

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A maior novela infanto-juvenil brasileira fez 20 anos em agosto deste ano. Mesmo que alguns custem a admitir, todo mundo em algum momento assistiu a Chiquititas. A produção teve inicio em agosto de 1995 na Argentina, criada pela escritora Cris Morena e produzida pela emissora argentina Telefe. Sucesso no país, onde teve sete temporadas e um filme, a produção foi vendida para outros países aonde foi exibida e adaptada, caso do Brasil. A nossa versão mais famosa foi gravada na Argentina e exibida pelo SBT entre 1997 e 2001.

Viola Davis faz história no Emmy

Na última edição do Emmy Awards, a estrela de How to get away with murder, Viola Davis, venceu o prêmio de Melhor Atriz em série dramática. A vitória merecida foi ainda mais comemorada pela americana ser a primeira atriz negra a vencer na categoria em 67 anos de premiação, algo que eu não sabia e me deixou tremendamente chocada. Viola que já arrasa na série, deu um show em seu discurso.

A edição de 2015 também foi a primeira a trazer duas atrizes negras disputando a categoria de melhor atriz. Além de Viola, Taraji P. Henson concorreu por Empire.

O barulho em torno de Os Dez Mandamentos

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Embora falemos muito mais de séries, é difícil relembrar 2015 sem citar a novela Os Dez Mandamentos da Rede Record. Com um enredo bíblico centrado na história de Moisés, a trama foi um inesperado sucesso, fazendo inclusive com que a emissora estendesse seu tempo de exibição, confirmando uma segunda temporada, e ainda planejasse um filme para 2016.

O Sucesso de Verdades Secretas

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Outra trama nacional que deu o que falar foi Verdades Secretas, uma quase sucessora de O REBU. Embora não tenha a mesma qualidade técnica, Verdades Secretas conseguiu superar o sucesso da antecessora, e entra no rol de sucessos da Globo no horário das 23 horas (a gente finge que a maioria não viu só pela bunda do Rodrigo Lombardi, assim como a da Paolla Oliveira em Felizes para Sempre).

A volta por cima de American Horror Story

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American Horror Story foi uma das melhores surpresas de 2011, e um enorme ganho para o gênero horror na TV. Após duas grandes temporadas, a série caiu em qualidade até que retornou repaginada para uma quinta temporada onde tudo que não funcionou anos atrás, enfim deu certo. Com um elenco afiado (até a cantora Lady Gaga, estreante nas telinhas, está bem), um enredo amarradíssimo, e uma trilha incrível, American Horror Story Hotel é o retorno da série aos seus melhores momentos.

Narcos bomba na Netflix e Wagner Moura é indicado ao Globo de Ouro

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Outra produção da Netflix que deu o que falar foi Narcos, estrelada pelo brasileiro Wagner Mora e dirigida pelo também brasileiro José Padilha. A série foi um sucesso pelo mundo, mesmo com uma pequena polêmica. Moura não sabia espanhol e para encarnar Pablo Escobar teve que aprender o idioma com sotaque paisa (da região de Medellín) em seis meses. O resultado não agradou alguns falantes do espanhol, principalmente os colombianos. Seja como for, Netflix, Padilha e Moura fecham o ano com muito o que comemorar, mais recentemente as duas indicações ao Globo de Ouro recebidas, como melhor série dramática e melhor ator para Wagner Moura.

O adeus a Jorge Loredo e Marília Pêra

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2015 deu adeus a dois grandes atores brasileiros. Em março faleceu o humorista Jorge Loreto, mais conhecido pelo personagem Zé Bonitinho, visto no programa Noites Cariocas dos anos 60 e mais tarde no A Praça é Nossa. Em dezembro, foi a vez de Marília Pêra. Veterana, a atriz participou de mais de 30 programas na TV, dentre séries e novelas, além de um extenso currículo no cinema e teatro.

Série brasileira vence o Emmy Interncional

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A comédia Doce de Mãe exibida pela Globo em 2014 venceu o Emmy Internacional como melhor comédia.  A série é derivada do filme lançado em 2012 no Brasil, tendo sido um sucesso, especialmente com a crítica. Em 2013 Fernanda Montenegro, protagonista da trama, venceu o Emmy como Melhor Atriz. A brasileira voltou a ser indicada neste ano. A série Psi, da HBO, também brasileira, foi indicada na categoria dramática.

The Big Bang Theory e o melhor episódio de todos

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Assim como American Horror Story, TBBT estava há duas temporadas devendo em boas tramas, com o núcleo de Sheldon e Amy praticamente levando a produção nas costas. As coisas mudaram na nona temporada, que está caminhando para ser a melhor de todas. O último episódio do ano, “The Opening Night Excitation”, simboliza esse momento da série, que provou não ter medo de ousar e se renovar. Estrategicamente exibida na semana da estreia de Star Wars, o episódio é todo fundamentado na noite da pré-estreia, e intercala a ansiedade de Leonard, Raj e Howard em ver o filme com a ansiedade de Sheldon e Amy que darão o grande passo, e terão sua primeira vez. Todo o episódio foi minuciosamente construído para agradar principalmente àqueles que acompanham a série desde o início, o resultado não poderia ser melhor. Se os boatos estiverem corretos e essa for a penúltima temporada, aparentemente a série se despedirá em seu melhor momento, o que não deixa de ser uma grande façanha após nove anos.

Menção honrosa – iZombie e Mr. Robot

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Adaptação nada fiel dos quadrinhos da DC Comics, exibida pela The CW, canal que os críticos têm mania de não levar muito a sério, iZombie tinha tudo para flopar (ao menos com a crítica), mas funcionou. A série de zumbis encerra 2015 já na segunda temporada e mais viva do que nunca (ignorem o trocadilho).

Outra que estreou sem muita badalação e termina o ano cheia de moral é Mr. Robot. A trama tem como protagonista um jovem com vida dupla, técnico em uma empresa de  segurança cibernética de dia e hacker a noite. Embora ainda não tenha tido a oportunidade de assistir, alguns trailers e resenhas me fazem ver a série como uma mistura dos filmes Her e Matrix. Sucesso absoluto, Mr. Robot foi uma das séries mais pirateadas em 2015, a trama também foi lembrada no Globo de Ouro, onde está indicada e uma das favoritas a Melhor Drama.

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