Saga completa 10 anos reunindo amantes da cultura pop potiguar

A Saga de Entretenimento surgiu nos anos 2000 com um grupo de amigos do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), na época chamado de Cefet, que também estavam participando das aulas de japonês. A Saga faz 10 anos em 2015 e vai comemorar sua primeira década de vida nos próximos sábado e domingo (25 e 26)  em um espaço bem maior: a Arena das Dunas.

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Saga em 2014 (Foto: Lara Paiva)

“Estávamos trabalhando no Centro de Convenções. Investimos muito em atrações, nós nunca trouxemos tanta gente ao Saga. Vai ter o Almah, banda do Edu Falaschi, e a Ayu, cantora brasileira que mora nos Estados Unidos. Acredito que a gente está trazendo atrações às quais o público está ligado”, disse Victor Cavalcante, um dos organizadores do Saga.

Espaços para jogos sempre existiu na Saga (Foto: Lara Paiva/Arquivo)

Espaços para jogos sempre existiu na Saga (Foto: Lara Paiva/Arquivo)

A Saga nasceu numa época que as pessoas tinham os canais Animax e Cartoon Network (nota da redatora: saudades, Toonami, bons tempos) exibindo Pókemon, Samurai X, Bleach, Death Note, Evangelion e vários outros.

“Começou em outubro de 2005 com um evento feito para que o curso de língua japonesa tivesse alguma atividade acontecendo junto com o curso de oratória regional de língua japonesa. Na época, a gente se juntou com o grêmio estudantil do Cefet e decidimos formatar um evento que unisse cultura japonesa e RPG”, lembrou Victor Cavalcante. 

O evento começou apenas com algumas atividades que até hoje existem, como o espaço para que as pessoas pudessem jogar os videogames da moda da época, jogar Role-Playing Game (RPG), venda de mangás e acessórios, e o desfile de cosplay. Naquela época, as pessoas se divertiam com isso e não era algo tão profissional.

Primeiro flyer do Saga

Primeiro flyer do Saga (Foto: Saga de Entretenimento/Arquivo)

Neste período, Victor estava cursando o Ensino Médio no então Cefet e afirmou que divulgaram todo o Saga pelo finado Orkut, antiga rede social que funcionava nos moldes do Facebook.  “Em uma tarde, conseguimos reunir 600 pessoas. Não esperava isso de jeito nenhum”, afirmou Victor.

Após o sucesso no IFRN, a organização resolveu continuar. No ano seguinte, eles mudaram o evento para o estacionamento do shopping Orla Sul (hoje, estacionamento da Universidade Potiguar).  Victor disse que foi nesta mesma época que surgiu a organização dos staffs e a vinda dos primeiros dubladores para o evento, onde eles conversavam com a plateia, falavam das vantagens e desvantagens da profissão, além de representar a voz do personagem favorito.

Quando chegava a essa parte, o público entrava em êxtase e todo mundo parava para prestar atenção em cada palavra que os dubladores mencionavam.  Antes, as apresentações musicais eram feitas com bandas locais que tocavam música japonesa e temas dos desenhos. Tanto durante o ano tinha o spin-off do Saga, o “Saga Jam”, que era um festival de música japonesa e reunia diversas bandas conhecidas pelo público potiguar, como Pandora No Hako e Kami Arashi.

“Pensamos em voltar, porém o  problema do Saga Jam foi que teve uma queda no números de bandas de J-Pop e J-Rock. A gente chegou a tocar na Rua Chile e no Sancho’s Pub. Precisamos de novas bandas para trabalhar em tocar, pois são poucas que estão ativas”, disse o Victor.

Saga em 2007, no estacionamento do shopping Orla Sul (Foto: Saga de Entretenimento/Arquivo)

Saga em 2007, no estacionamento do shopping Orla Sul (Foto: Saga de Entretenimento/Arquivo)

Em 2008 a coisa mudou, quando eles mudaram para o ginásio da Faculdade Maurício de Nassau, em Capim Macio, com outro nome, o “Anime Sun”, que contou com a presença de grandes nomes da música japonesa, Hironobu Kageyama (cantor orginal da música de abertura do “Dragon Ball Z”, “Cha-La Head-Cha-La”) e Maasaki Endoh.

Também teve a presença do cantor Edu Falschi, ex-vocalista do Angra, e conhecido por ser o cantor da versão brasileira de “Pegasus Fantasy”, canção de abertura de Cavaleiros do Zodíaco (“Faça a elevar, o cosmo do seu coração”).

“Em 2008, eu estava planejando organizar o Saga em outubro, como aconteceu em todos anos, porém recebi uma proposta da Yamato, produtora de grandes eventos do Sudeste, como Anime Friends (maior evento do brasil e dura 7 dias, 15 atrações japonesas) de trazer duas atrações para Natal seguindo alguma condições e foi a primeira vez que Kageyama e Maasaki Endoh vieram ao Nordeste”, afirmou o Victor.

Victor lamentou que tiveram que marcar o evento em dezembro e coincidiu com o sábado de Carnatal, a famosa micareta da cidade. Em 2009, 2010 e 2011, eles continuaram com o Saga na Faculdade de Maurício de Nassau e foi neste período que começou a profissionalização da área do cosplay. Confira a evolução dos cosplays nas duas fotos a seguir:

Antigamente, os cosplayers eram bastante amadores, chegavam a pintar os cabelos, usavam qualquer tecido para fazer a roupa e tudo era muito improvisado mesmo. Foi neste ano que as competições começaram a ficar mais sérias e as pessoas estavam caprichando no figurino e na interpretação.

“Isso tem muito a ver com a internet, ficou muito mais fácil de se fazer. Se eu pesquisar para saber como customizar uma peruca, tem vídeos explicando como funciona. Isso vale para outros acessórios. Então, a democratização da informação por causa da internet fez com que esse nível melhorasse”, avaliou o organizador do Saga.

Guilherme Damiani no Saga 2014 (Foto: Lara Paiva)

Guilherme Damiani no Saga 2014 (Foto: Lara Paiva)

Após dois anos, Saga voltou em 2013. Assim como os Pokémons evoluem, o evento também foi parar em um espaço bem mais amplo do que os anteriores: o Centro de Convenções. Uma das novidades do evento foi a mudança do público, que ficou bem mais novo e muitos jovens começaram a comparecer.

Foi neste período também que começaram a surgir os primeiros vlogueiros ao Saga, como Guilherme Damiani e Erik Gustavo com o seu boneco “Marcelinho”, que adora ler contos eróticos.

“A gente mudou nosso perfil à medida que mudava o perfil da pessoas. Inicialmente era um evento de anime, depois cultura japonesa, passando para oriental e depois percebemos que viramos um evento de cultura pop, que mistura anime, quadrinhos, filmes, games…”, disse o rapaz.

Também foi confirmada a realização do Re:Saga em outubro. Assim como nos anos anteriores, vai ter espaço para jogar, campeonato de cosplay e espaço para receber vlogueiros, como Muca Muriçoca, e o dublador Carlos Seidl, que faz a voz do Seu Madruga do “Chaves”.

As casadinhas do evento serão vendidas até a sexta antes do evento e custarão 45 reais. Estão disponíveis na Ovni Games do Midway Mall e no Ibyte do Midway e Natal Shopping. Uma das novidades da Saga desde o ano passado são os ingressos VIPs, que já estão esgotado, e o Meet and Greet.

Cosplay do Saga em 2014 (Foto: Lara Paiva)

Cosplay do Saga em 2014 (Foto: Lara Paiva)

“Nós teremos um meet and greet, vamos montar uma ficha para atender o público, com o número limitado. Hoje as filas para encontrar com as atrações estão maiores do que naquela época (risos). Além disso, tem um ingresso vip, que vai ter um contato separado com os convidados e tem acesso exclusivo ao palco. Está esgotado há duas semanas”, disse.

Apesar de ter trabalhado como bancário e publicitário, ele reconhece que o hobby que acompanha desde os 17 anos virou um trabalho sério e que o Saga ajudou bastante no amadurecimento profissional. “Eu acho que tem o sentimento de renovação sempre que o evento acaba e via as pessoas elogiando o trabalho. No final, a gente tem sempre uma sensação de realização renovada”, finalizou.

SERVIÇO:

Saga de Entretenimento
25 e 26 de abril
Onde: Arena das Dunas
Mais informações

2 Responses

  1. Avatar
    Isabel Alves

    Quanta nostalgia! Muito bom saber que o Saga ainda existe e está sendo bem cuidado. Certeza que não só por mim mas pra varias pessoas que conheço o evento marcou bastante!
    Ótimo texto Lara.

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  2. Saga Arena: Fim de semana com evento dedicado ao e-sport | O Chaplin

    […] O evento começou apenas com algumas atividades que até hoje existem, como o espaço para que as pessoas pudessem jogar os videogames da moda da época, jogar Role-Playing Game (RPG), venda de mangás e acessórios, e o desfile de cosplay. Naquela época, as pessoas se divertiam com isso e não era algo tão profissional. Veja esta entrevista que a gente fez com Victor Cavalcante, criador do Saga. […]

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