Já comentei certa vez sobre a série “Elementary”, da CBS e de criação de Robert Doherty, aqui no blog em uma postagem em que fiz um apanhado dos Sherlock Holmes que existem atualmente na mídia (seja em séries ou filmes). Contudo, dado o meu agrado pela série, a promessa que fiz a um amigo, e o gancho da estreia da segunda temporada (que iniciou no último 26 de setembro), decidi fazer um novo texto, agora só sobre a série e o retorno da nova temporada.

“Elementary” baseia-se na obra de Sir Arthur Conan Doyle, em que são narradas as aventuras do detetive Sherlock Holmes e seu colega e parceiro de descobertas, Dr. John Watson. Contudo, “Elementary”, por motivos que não me competem (há boatos de que a série não conseguiu a licença para utilizar os direitos autorais da história), fez várias modificações no enredo original, dando à história uma nova roupagem e menos previsibilidade, já que os personagens têm várias características e histórias de vida alteradas, além das situações que são quase sempre bem diferentes das narradas nos livros de Conan Doyle. A única coisa que se mantém intacta, na verdade, são os métodos de Sherlock Holmes (interpretado pelo caricato Jonny Lee Miller), responsáveis por todo o sucesso do personagem.

Lucy Liu, como Joan Watson, e Jonny Lee Miller, como Holmes

A primeira das diferenças a se ressaltar é a relação entre Holmes e Watson. Watson, na verdade, é Drª. Joan Watson, interpretada pela linda Lucy Liu, que tem se mostrado uma boa atriz de TV. Eles se conhecem quando Joan é contratada para ser “acompanhante” de Holmes no período em que ele está se recuperando do vício em drogas. Contudo, logo os dois se tornam amigos e Watson passa a ajudar Sherlock em seus casos como consultor especial para a polícia de Nova York. Após o período como acompanhante chegar ao fim, Holmes oferece a Watson pagar-lhe um salário mais a moradia para que ela continue a acompanhá-lo nos casos e assim forma-se definitivamente na série a dupla de detetives mais astuta da literatura.

Outra alteração é o lugar em que eles residem. Enquanto nos livros, as histórias se passam em Londres, na série, Holmes, embora inglês, muda-se para os Estados Unidos e lá a trama se desenrola. A própria personalidade do detetiva é um tanto quanto diferente. Esse Holmes, embora um tanto apático e muitas vezes insensível e pragmático (como o original), tem características peculiares: é forte, tatuado, metido a garanhão e um pouco mais afoito que o personagem de Conan Doyle. Nem por isso, deixa de ser carismático. Na verdade, as mudanças na série apenas a deixam mais interessante para o espectador não-tradicional.

Há quem compare “Elementary” com “Sherlock”, série inglesa que também tem como mote as peripécias narradas por Conan Doyle. A verdade é que a proposta e o formato de ambas é bem diferente, o que torna insensato compará-las. Óbvio que tecnicamente falando, “Sherlock” é bem superior, mas cada temporada (além de haver um intervalo de tempo maior entre elas) tem apenas três episódios, o que dá mais tempo para o planejamento e gravação. Óbvio também que “Sherlock” assemelha-se mais à obra original, mas é como eu disse, para o telespectador mais liberto de certas amarras do mundo das adaptações, isso não implica necessariamente em um problema.

Apesar da criatividade da série, que é necessária para fugir do enredo original dos livros, às vezes aqueles que são fãs também da obra de Conan Doyle sentem saudades de elementos criados pelo escritor na série. Vez ou outra “Elementary” nos presenteia com pequenas doses do Sherlock original, como foi ao fim da temporada passada com a aparição de Irene Adler (Natalie Dormer), uma personagem importante nos livros e, na série, um grande amor de Holmes.

À direita, Natalie Dormer como Irene Adler

O início dessa segunda temporada certamente agradou também aos fãs do detetive criado por Conan Doyle. Tivemos o resgate de vários elementos já conhecidos pelos leitores. Foram eles: Londres e 221B Baker Street (lar de Holmes nos livros), a aparição do irmão de Sherlock, Mycroft Holmes (Rhys Ifans) e também do inspetor Lestrade, famoso nos livros por ser o contato de Holmes na Scotland Yard.

Holmes e seu irmão Mycroft (Rhys Ifans)

Contudo, esse primeiro trata-se apenas de um episódio pontual, no segundo episódio a dupla já retorna para Nova York e fica apenas a dúvida e a curiosidade sobre o que mais nos espera em “Elementary”. A primeira temporada foi excelente (embora sem grandes níveis de audiência), mas fica a impressão de que todos os conflitos foram resolvidos e todas as cartas na manga utilizadas. Será um grande desafio para os roteiristas manter os episódios tão agradáveis quanto os primeiros. Ao menos, a série conta com a colaboração de dois atores principais carismáticos (apesar das comparações das atuações de Lee Miller com o também personagem de série House, interpretado por Hugh Laurie), que vêm agradando e mantendo o público fiel. Vamos torcer para que superem os fantasmas da segunda temporada e continuem no ar fazendo a alegria dos fãs.

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