Mais de cem anos se passaram desde o lançamento do personagem Sherlock Holmes por seu criador, o escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle, um dos principais expoentes de romances policiais do mundo. Após (ou paralelo a) Conan Doyle, muitos nomes emergiram no gênero, que até hoje é extremamente explorado por autores do mundo inteiro. No entanto, o detetive particular britânico continua sendo o mais famoso e revisitado personagem da literatura do gênero.

Seja por seu humor excêntrico ou por seus métodos de dedução que instigavam os leitores a cada obra, ou ainda pela escrita ímpar e bem conduzida de Conan Doyle, o fato é que Holmes ainda parece distante de ser esquecido nas prateleiras, ou em outras mídias, como a TV e os cinemas.

Capa de “Sr. Holmes”, pela Editora Intrínseca

É o caso de séries como “Elementary” e “Sherlock”, que trazem releituras do personagem, e do livro A Slight Trick of the Mind, de Mitch Cullin, publicado recentemente no Brasil pela Editora Intrínseca sob o título de “Mr. Holmes”. A derivação advém do título do filme  britânico homônico estrelado por Ian McKellen e lançado no ano passado.

Ambas as obras são um interessante recorte sobre o qual Conan Doyle não se debruçou da curiosa vida e personalidade de um dos personagens mais conhecidos da literatura. Elementar, meu caro leitor! A velhice, momento em que se situam as obras, enfraquece todas as características que pilarizavam a fama do detetive. Memória, força e percepção são abaladas, mas a sede pela resolução dos problemas e seu peculiar humor ácido são mantidos.

Em “Mr. Holmes”, diante da senilidade, o homem que sempre fora movido pela razão, parece analisar, paralelo a um caso para os saudosos pelos métodos do personagem, suas próprias emoções. Vemos um Sherlock que o leitor mais conservador poderá estranhar: há traços de sensibilidade, emoção, fragilidade e frustração. Isso fica ainda mais evidente no filme estrelado por Ian McKellen, cuja expressividade, postura rígida e acidez característica caíram como uma luva para compor Holmes.

Cena de “Mr. Holmes”

O texto literário de Cullin, por sua vez, nos presenteia com mais semelhanças no discurso. A frieza de Holmes consegue ser mantida na maior parte do tempo, aqui, e talvez seja um retrato quase fiel e mais realista de quem teria sido o gênio da dedução na velhice.

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