Ponte dos Espiões: Spielberg sem segredos
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9.0

A última produção de Mr. Spielberg havia sido Lincoln, em 2012. Ele reaparece agora com Ponte dos Espiões, acompanhado dos irmãos Coen (roteiristas do filme) e do seu amigo pessoal e ator favorito, Tom Hanks, que já o acompanhou em O resgate do Soldado Ryan, Prenda-me se for Capaz e O Terminal (vale lembrar também que ambos produziram a ótima minissérie Band of Brothers).

O filme conta a história real do advogado do ramo de seguros, James B. Donovan, que tem a missão de defender um suposto espião russo, fixado em Nova York durante a Guerra Fria, jogada em seu colo. A sua firma quer apenas mostrar à opinião pública que o acusado está recebendo uma defesa de qualidade. Mas, depois de aceitar o caso, Donovan decide defender Rudolf Abel, com quem cria um laço afetivo, usando todos os recursos disponíveis, levando o caso até a Suprema Corte.

Algum tempo depois, um tenente americano é capturado pelos russos. Com ambos os governos com medo de serem traídos pelos seus soldados, eles se tornam moeda de troca. E Donovan é incumbido pela CIA de negociar e realizar essa troca, que deve acontecer na dividida Berlim. Para complicar um pouco mais as coisas, o advogado decide incluir na negociação um estudante americano, recém-capturado na Berlim comunista. Tudo isso contra a vontade da agência de inteligência, que insiste em restringir a troca apenas ao militar.

Ao contrário do que o título e a primeira cena possam sugerir, não há grandes feitos de espionagem, falsificação de identidades, troca de lados e situações em que não sabemos mais em quem ou em quê acreditar.

‘Bridge of Spies’ by DreamWorks Studios.

 

Spielberg faz o que se especializou em fazer tão bem: tomar uma história e fazê-la universal, humana. O diretor estende empatia em todas as direções e isso dá resultado. Muito embora existam metáforas um tanto expostas, mais pontuadas. Existem diversos outros níveis de significado que podem ser apreendidos (não só via roteiro, mas também pela fotografia de Janusz Kaminski). O diálogo inicial entre o personagem de Hanks e outro advogado dá o tom de toda orientação moral que o guia durante a história. O seu discurso sobre covardia na Suprema Corte também ecoa durante todo o filme, chamando atenção, inclusive, para a covardia norte-americana em vários momentos da história. O diretor mostra que os Estados Unidos estão repletos de pessoas “ruins”, mas na figura de Donovan vem a redenção, o caráter, a bondade e a esperança que triunfam sobre isso.

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O filme tem seus defeitos: carece um pouco mais de peso dramático (como temos em Munique). Em poucos – ou nenhum – momento tememos pelo que vá acontecer, pela vida de Donovan, de Rudolf ou de Powers. Ou até mesmo pelo insucesso da troca. O protagonista parece sempre no controle de tudo, o que diminui o conflito da trama. Em uma negociação que envolve os governos das duas maiores potências mundiais, a República Democrática da Alemanha (que busca reconhecimento mundial), CIA e KGB, um cidadão privado é quem dá as cartas. Os momentos cômicos também são mais frequentes do que a história pede.

Ponte dos Espiões não é, nem de perto, o melhor filme de Spielberg. Mesmo assim, como de costume, ainda é um baita filme.

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