‘Sully – O Herói do Rio Hudson’: mais uma história real que tenta emplacar e não dá certo

A temporada de premiações cinematográficas já está começando. Algumas delas até já tiveram suas listas de indicações divulgadas, como foi o caso do Globo de Ouro, do Screen Actors Guild Awards e do Critics’ Choice Awards. Este último tem, como um dos principais indicados, Sully – O Herói do Rio Hudson, que narra a história – baseada em fatos reais – de um experiente piloto (que dá nome ao filme) que tem que fazer uma manobra de emergência perigosa após as turbinas do avião terem sido danificadas por pássaros.

Dirigido pelo experiente Clint Eastwood com roteiro de Todd Komarnicki, Sully é o tipo de filme cuja intenção da equipe de receber indicações a essas premiações, ou com muita sorte o Oscar, fica muito clara: é uma história tocante, mas arrastada. Por isso, a obra cai no clichê do gênero e não inova em quase nada, principalmente quanto ao roteiro, no qual repete o banal argumento do herói americano sendo contestado juridicamente por causa de seu feito, além de ter que lidar, concomitantemente, com seus próprios traumas oriundos de seu feito heroico.

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Tom Hanks, que interpreta o protagonista Sully, está em um dos papéis mais fracos da sua vasta filmografia. Culpa do roteiro tedioso, que faz com que os mais de 90 minutos de duração pareçam completamente eternos, e até mesmo da atuação do experiente ator, que talvez não se esforçou para entregar um personagem mais puro e humano se comparada com a interpretação de Denzel Washington em O Voo (2012), obra de mesmo argumento, vencedora de muitos prêmios. O filme que chegou aos cinemas 4 anos atrás tinha Denzel Washington no papel principal, também de um piloto que teve que fazer um pouso complicado e, depois, foi investigado para confirmar ou refutar negligência por parte do condutor do avião.

Mesmo com a boa direção de Eastwood, além dos demais aspectos técnicos, falta emoção em Sully. O filme, que deveria ser conduzido pelo mais fiel ao real, acaba sendo só mais uma indicação para “encher linguiça” em meio a outros tantas outras que estão chegando às telonas brasileiras, como La La Land e Animais Noturnos