“The Matrix” e sua contribuição ao cinema

O filme futurista das irmãs e diretoras Lana e Lilly Wachowski lançado em 1999 completou 20 anos, tornando-se um marco para a história do cinema mundial. Assistindo Matrix hoje, é possível ver o quanto o filme consegue pensar além do tempo em que foi lançamento, ainda é comum encontrarmos adaptações seja no cinema e a televisão com narrativas pós-apocalípticas e o uso de tecnologia avançada.

A contemporaneidade de Matrix permanece ainda sendo uma grande referência em outros filmes, como as técnicas de filmagens, as icônicas cenas de ação em câmera lenta e a narrativa Sci-Fi tecnológica. O lançamento foi marcado durante o final dos anos 90, em meio às teorias referentes à virada do ano que levantaram discussões sobre o enredo, seja pela filosofia abordada, como também pelo avanço tecnológico naquela época ainda sobre a antiga internet discada.

A história de Thomas Anderson, personagem interpretado por Keanu Reeves, é um hacker que atende pelo nome Neo e que costuma ser atormentado por sonhos nos quais o mundo parece não ser real, e pesadelos estranhos onde encontra-se preso por cabos contra a vontade em um imenso sistema. Conforme os pesadelos se intensificam, Anderson passa a questionar a realidade do mundo em que vive.

“Assim como todo mundo, você nasceu em um cativeiro, preso em uma cela que você não pode sentir, provar ou tocar. Uma prisão para sua mente” – Morpheus

Logo seu encontro com Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss) o fazem descobrir ser parte de um imenso sistema de manipulação tecnológica e artificial capaz de criar a ilusão de um mundo real chamado de Matrix, sendo os corpos usados como fonte de produção de energia. Enquanto isso, Morpheus acredita que Neo é o escolhido capaz de despertar a humanidade para se libertar da prisão surrealista dos que estão enclausurados.

Apesar de aparentar ser mais um clichê entre filmes com a premissa pós-apocalíptica o diferencial da série Matrix se dá pela abordagem do roteiro das irmãs Wachowski, pois se trata exatamente da união entre a queda do mundo como o conhecemos, ascendendo discussões filosóficas da relação entre humanos e o avanço da tecnologia durante a virada dos anos 2000.

O longa começa com uma sequência de ação típica da série cinematográfica: em câmera lenta, a personagem Trinity de Carrie-Anne Moss, membro da resistência humana, luta contra os integrantes do universo de Matrix, sendo uma das amostras a abordagem do filme. No decorrer conhecemos Neo de Keanu Reeves que em meio às crises existências sobre a realidade artificial acaba atendendo ao chamado de Morpheus, que na clássica e viral cena da escolha entre as pílulas azul e vermelha é revelada a verdade sobre a Matrix, consequentemente tornando-se integrante da resistência.

Um dos métodos usados para gravar as cenas de ação nomeada de “Bullet Time” trata-se do efeito especial em câmera lenta com o objetivo de mostrar a movimentação de personagens em curto tempo.

A partir da descoberta, o espectador passa a conhecer sob a perspectiva de Neo o universo de Matrix, como uso de tecnologias e programações que lhe proporcionam habilidades em um curto espaço de tempo, momento em que são realizadas algumas das melhores e mais icônicas cenas de ação já produzidas no cinema. Ver o longa de 1999 hoje pode causar estranheza aos olhos devido ao grande avanço tecnológico atingido na sétima arte atualmente, porém, as técnicas usadas na produção se tornaram referência para várias obras.

Uma das metodologias utilizadas para gravar as cenas de ação nomeada de “Bullet Time” ou “tempo de bala” trata-se do efeito especial em câmera lenta com o objetivo de mostrar a movimentação de personagens ou um objeto de cena em um curto tempo. Na prática são posicionadas várias câmeras em formato espiral sendo captadas imagens por cada uma delas, formando um conjunto em velocidade de doze mil quadros por segundo (o que normalmente é gravado a 24 quadros por segundo) como se houvesse um congelamento das imagens, além de termos uma visão num ângulo de 360° graus sobre a cena gravada.

Enquanto estética o longa trouxe um visual coerente com uma fotografia que alterna entre tons mais escuros e azulados entre as interações humanas e do outro lado o tom verde e vibrante pondera sobre o universo surrealista de Matrix. Além disso, os trajes pretos usados pelos personagens, como sobretudos e óculos escuros, também se tornaram características icônicas compondo a identidade do filme.

Por último, o universo de Matrix traz a junção de uma filosofia tecnológica e pós-apocalíptica com memoráveis cenas de ação que fizeram do longa das irmãs Wachowski uma referência cultural e uma evolução da arte cinematográfica.