The Sugarcubes: rock islandês e fase embrionária da Björk

Esse texto era para ter sido feito desde o dia 21 de novembro, porém só resolvi fazê-lo agora. Inicialmente falaria sobre a islandesa Björk, a quem conheci de forma mais aprofundada apenas nos últimos meses, e naquela mesma data completaria mais um ano de vida. Após procrastinadas e ocupações, resolvi falar da banda antes da carreira solo da excêntrica cantora, The Sugarcubes.

The Sugarcubes surgiu na década de 80, na Islândia
The Sugarcubes surgiu na década de 80, na Islândia

O grupo foi criado nos anos 80, quando surgiram várias bandas independentes na Islândia. Antes do The Sugarcubes, Björk participava do Tappi Tikarras, que fazia sucesso no país. Outra banda que chamava atenção era Purrkur Pilnikk liderada por Einar Beneditktsson. Então,  um produtor musical resolveu juntar os dois líderes e formou uma banda chamada Kukl, “bruxa” em islandês.

A banda misturava rock gótico, punk, jazz, dentre outros estilos. Lançou um disco ao vivo (1984) e dois em estúdio, “The Eye” (1985) e “Holidays in Europe (The Naughty Nought)” (1986). Depois, Kukl dissolveu e dentre os motivos estava a gravidez da cantora.

Após o nascimento de Sindri, Björk e Einar se juntaram com o guitarrista Thor Eldon (pai do filho dela, por sinal), Einar Melax (teclado), Bragi Ólafsson (baixo) e Sigtryggur Baldursson na bateria.  Assim, nasceria o The Sugarcubes.

Misturava rock, punk, new wave e até brincava com o pop e o gótico. Eles cantavam em islandês e também em inglês. As extensões vocais de Björk ajudaram a fazer com que o som deles fosse único.  Em 1986, eles publicaram o que seria o primeiro EP, intitulado de “Einn Mol’á Mann”, que continha a canção ‘Ammæli’, a mesma futuramente teria uma versão em inglês chamada “Birthday”.

Do primeiro disco, “Lifes’s Too Good” (1988), saiu a primeira música que foi sucesso deles, “Birthday”, que foi elogiada pela aclamada revista britância NME. Esta foi a primeira música islandesa a fazer sucesso fora do país.

sugarcubes_02Com o sucesso nas terras europeias, eles lançaram mais dois singles: “Deus” e “Cold Sweat”. Ao mesmo tempo, eles estavam fazendo sucesso nos Estados Unidos com “Motocrash”. Por causa disso, eles fizeram shows em casas noturnas e universidades em terras americanas.

Nesse mesmo período a banda gravou vários clipes musicais para o lançamento de seus singles. Ainda em 1988, lançaram o single “Luftguitar” em parceria com Johnny Triumph, um dos personagem do poeta islandês Sjón e um dos grandes colaboradores de Björk em sua carreira.

Em 1989, os integrantes lançaram o selo Bad Taste, cuja intenção eram lançar outras bandas islandesas e, ao mesmo tempo, livros, crônicas, dentre outros produtos. Naquele mesmo ano, saiu o álbum “Here Today, Tomorrow Next Week”, que foi criticado pela mídia, onde saiu os singles “Regina” e “Planet”.

Nessas músicas percebe-se o surgimento dos primeiros sinais da excentricidade que faria Björk ser famosa internacionalmente. Também este álbum é o primeiro do qual participa Margrét Örnólfsdóttir, que atuou no clipe “Motocrash”, e se torna a tecladista oficial da banda.

Após o lançamento do mesmo, eles saem para uma turnê internacional, porém surgiram os primeiros desgastes da banda e os integrantes começaram a dar prioridades aos seus interesses individuais. O último álbum foi “Stick Around for Joy”, em 1992, e foi sucesso de crítica, onde surgiu os singles “Walkabout”, “Vitamin” e “Leash Called Love”.  Em 1993, Björk, já morando na Inglaterra, lançou o “Debut” e começou a sua carreira internacional. Foi assim que ela saiu de sua fase embrionária.

A importância de Björk e do The Sugarcubes para o rock islandês foi muito grande, uma vez que se não fosse eles não conheceríamos bandas como Sigur Rós, Múm e Of Monsters and Men, que já tocou no Lollapalooza no ano passado.