Thomas Mann devolve às prateleiras um Doutor Fausto atemporal

Aos bons mares retorno trazendo comigo um novo rumo, uma nova visão que não irá agradar a todos. Trago velhas ideias para esboçar os novos seres, tão abomináveis e mentirosos como os dos séculos passados. Trago à tona uma leitura do século XVIII e XX, mas que se analisados às vistas dos acontecimentos recentes parece que é uma tessitura das relações sociais contemporâneas.

O-estigma-de-FaustoConduzo a todos nesse momento recobrar nas suas consciências uma das figuras mais obscura da literatura mundial, o odiado Dr. Fausto, que nos foi exposto pelo grande escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe.

Apesar de se tratar de uma narrativa lendária na Alemanha, de um médico, mago e alquimista que consolidou um pacto com o demônio, a figura de Fausto nos foi apresentada em 1806 por Goethe. Contudo, ao lermos sua peça percebemos que o autor esboça na figura de seu personagem uma mudança no pensamento social da época, trata-se da transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, época de vários conflitos que proporcionou profundas reformulações em determinados conceitos considerados até então inquestionáveis, ligados ao campo das ciências naturais, esotéricos, políticas e econômicas.

Para melhor esboçar tal afirmativa é só analisarmos a figura do próprio Fausto, um homem das ciências, que devido à desilusão com o conhecimento e aos modos comportamentais do seu tempo, acaba realizando um pacto como o temido demônio Mefistófeles, para assim alcançar o progresso desejado.

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Thomas Mann

A partir da análise apresentada no parágrafo anterior percebemos que tal narrativa não se prende ao seu tempo, muito pelo contrário, ela transcende o tempo se mantendo atual às vistas contemporâneas, tanto que no século XX Thomas Mann apoiado na estória de Goethe começa a escrever, em 1943, o livro Doktor Fausto, a fim de demonstrar a transição política e social que levou o nazismo chegar ao poder.

mi_3211452002828748Doktor Faustus, escrito por um dos maiores romancistas do século XX, Thomas Mann, vencedor do Nobel de Literatura em 1929, descreve em seu romance o universo social de artistas e intelectuais. Narrada pelo amigo e professor Zeitblom, é a história do músico Adrian Leverkühn, que, como o Fausto da lenda, vende a alma ao Diabo a fim de viver o suficiente para realizar sua grande obra.

Thomas Maan parte do mesmo pressuposto de Goethe, contudo analisando a conjuntura do seu tempo que passava também por reformulações sociais e morais extremamente profundas, levando assim às maiores catástrofes causada por seres humanos, como por exemplo, a Segunda Grande Guerra e o extermínios de judeus, homossexuais, etc.

Percebe-se então que, a partir dos escritos de Mann e Goethe, podemos transpor essa narrativa para os dias atuais onde nossa sociedade começa também a buscar os pensamentos extremos, seja direita ou esquerda. Como diria Bergman, vivemos em um momento que se assemelha com o ovo da serpente.

Para aqueles leitores que gostaram da analise, indico a leitura de ambos os livros, tanto Fausto de Goethe como Doutor Fausto de Thomas Maan, esse último foi relançando recentemente pela Companhia das Letras numa versão de luxo em capa dura.

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