Turma da Mônica - Lições traz reflexão sobre os nossos atos
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5.3

Não sei vocês, mas eu domino a arte de entrar despretensiosamente na livraria e sair com a conta bancária arruinada pelos próximos meses. Nessas idas e vindas pela estante de quadrinhos, me deparei com o novo trabalho do selo Graphic MSP, “Turma da Mônica – Lições” (2015), dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi. Devorei o álbum todo na mesma noite, as singelas e tristonhas memórias da infância e a reflexão das escolhas adultas se emaranharam na minha cabeça ao longo de suas oitenta e duas páginas.

Os ilustradores e roteiristas que nos brindaram com o sensibilíssimo “Turma da Mônica – Laços” (2013) – nova versão da turminha mais famosa da sétima arte brasileira – mantiveram a mesma sensibilidade em seus traços fino e cheios de movimento e suas cores. Ah suas, cores! O roteiro com todos os elementos que consagraram as história de Maurício de Sousa, o carisma dos quatro protagonistas: Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão, estão presente, embora com um novo olhar e uma percepção que transita entre a candura e melancolia. O diferencial deste trama escrita pelos irmãos Caffagi é o subtexto, a reflexão do valor da amizade e da consciência dos nossos atos.

Quando foi a última vez que você, leitor, deu ouvidos a um conselho paternal? Ou ouviu aquele teu amigo mais experiente hein? É, eu também… Nos meus vinte e tantos anos já deixe pra lá muito papo e o resultado na maioria das vezes não foi muito bacana pra mim não, mas de uma maneira ou de outra acabei aprendendo com os erros. Mas depois dessa divagação, vamos ao que interessa, a trama!msp-lic3a7oes-06

A história se passa mais ou menos 1 ano após a última aventura da turminha vivida em “Laços”, quando os quatro amigos vão em busca do desaparecido cachorro do Cebolinha, Floquinho. O enredo é enxuto, porém consistente e com desdobramentos interessantes. Entretido com os planos de roubar o Sansão, o Cebolinha esquece. Temeroso com uma goteira em seu quarto o Cascão esquece. Aguardado o fim da chuva para o brunch de domingo, a Mônica esquece. Devorando os pratos do brunch (que por sinal não aconteceu), a Magali esquece também, o dever de casa. E como a responsabilidade é algo que deve ser aprendida logo cedo, os pais dos meninos trataram logo em tomaram providências a respeito da displicência dos dos filhos.

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O temido e às vezes necessário (?) castigo é posto em prático e a turminha sente na pele a parte amarga da consequência de seus atos. Embora boa parte da história os personagens vivam suas próprias experiências em separado, a montagem da HQ não deixa a agilidade e dinamicidade da trama cair. O acréscimo de novos personagens como o Xaveco, o Mingau (gato da Magali) Quindim (namoradinho da Magali), Tonhão (o grandalhão da rua debaixo) e o Dudu (o primo que não gosta de comer da Magali).

As inquietudes, os sentimentos e a saudade das crianças, presentes na história, muito se assemelham com as minhas, da Leila adulta. O medo de decepcionar àqueles que nos amamos, meter o pé pelas mãos, compreende a dimensão e a importância da amizade… É, parece que as coisas não mudaram muito na minha vida não. “Lições” repete o sucesso do seu antecessor, te faz refletir sobre a vida e de quebra você ainda leva pra casa uma obra de arte com cores, traços e sensibilidade com assinatura e qualidade dos Caffagi.

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