Vendo ou Alugo: Uma comédia de poucos risos e acertos

No último dia 9 de agosto entrou em cartaz nos cinemas brasileiros a comédia “Vendo ou Alugo” da diretora Betse de Paula. Confesso que, ao assistir aos trailers do filme, não me interessei nem um pouco, mas por insistência da diretora do blog, eis que fui conferir a bendita produção brasileira. Com um elenco tarimbado e atrizes do peso de Nathália Timberg e Marieta Severo, a produção foi absolutamente desinteressante: roteiro fraco, personagens sem carisma, atuações medianas, simplesmente uma comédia que não faz rir.

Entre erros e acertos de um roteiro confuso e pouco coeso, Marieta Severo ainda é a melhor coisa do filme

Rio de Janeiro, 2013, a cidade maravilhosa serve de cenário para o longa. Maria Alice (Marieta Severo) é uma tradutora de uma tradicional família carioca que viveu seus tempos de glória décadas atrás e agora amarga a triste realidade do mundo moderno, vivendo em sua mansão em ruínas lado a lado com uma favela. Ao ser informada pelo gerente do banco de que sua casa iria a venda caso ela não pagasse suas dívidas, Maria Alice faz uma oferenda pra Iemanjá para que seu imóvel por fim seja vendido. Graças à oferenda e ao contato de uma velha conhecida dona de uma imobiliária, a casa receberia a visita de um comprador estrangeiro.

A sucessão de acontecimentos  envolvendo as quatro mulheres que vivem na casa – Maria Alice, sua mãe Maria Eudóxia (Nathália Timberg), sua neta, Madu (Beatriz Morgana), e sua filha Baby (Silvia Buarque) – com um gringo interessado em comprar a mansão para instalar uma pousada em meio a um conflito entre traficantes e policiais na favela permeia o desenrolar da venda da casa. No decorrer da invasão da polícia a favela, todos ficam confinados na casa. O corretor, Júlio (Pedro Monteiro), revela ainda estar apaixonado por sua paixão de infância, Baby; Maria Alice se vê interessada pelo malandro e traficante Jorge (Marcos Palmeira) e Manoel (Nicola Lama), o gringo, vê cada vez mais potencial para o seu negócio na mansão.

Reunião de classes reúne policiais, pastor e traficantes em meio a invasão da favela

O roteiro escrito por Betse de Paula, Mariza Leão, Julia de Abreu, José Roberto Toreiro e Adriana Falcão contém diálogos que em sua maior parte não soavam críveis. Marieta Severo (Maria Alice), a muito custo, em uma cena ou outra, consegue com seu carisma reverter alguns momentos de “nonsense” total. Outro aspecto relevante são os planos-sequência, que relevam o ótimo nível técnico da produção. Há espaço para crítica social, quando de um lado se vê a aristocrata decadente carioca e os pobres do morro coabitando no mesmo espaço e mostrando também que, em ambos os lado, se tem o “jeitinho brasileiro”. Outro ponto positivo do filme é Nathalia Timberg, como um símbolo de uma classe alta decadente que procura a todo custo manter a pose de grã-fina, em seu casarão defronte a uma favela, suas tiradas são sempre as mais sarcásticas e divertidas.

Muito me admira saber que o filme venceu os principais prêmios da edição do Cine PE deste ano. “Vendo ou Alugo” não se destaca em meio a filmografia nacional de jeito nenhum, muito menos pra vencer prêmio, é verdade que em termos técnicos o filme é superior a outras comédias (pastelão) brasileiras, mas não que faça do longa uma obra de arte. Àqueles que buscam risos, sem compromisso, e se dão por satisfeitos com muito pouco, a ida ao cinema é válida. Aos demais, não recomendo.