Mantendo a promessa de entregar aos leitores todos os meses um novo fanzine através do projeto “Um zine por mês”, a Editora Tribo lança na próxima sexta-feira, 25, às 19h, no Mahalila Café e Livros, o quarto zine do ano, quinto publicado pelo selo. Intitulado “Sangra”, a publicação é de autoria de AnaLu Medeiros, autora da Tribo, já tendo publicado no ano passado o livro de quadrinhos de um quadro só “Ana e o Sapo”, que trazia momentos, reflexões e situações cotidianas de uma garota de cabelos vermelhos (Ana) e seu sapo.

“Sangra” conta com quadrinhos, textos e ilustrações da artista, condensados em 40 páginas com estética e bom gosto avassaladores. A história principal, que dá nome ao zine, foi desenvolvida durante o evento nacional “24 horas de quadrinho”, em que quadrinistas de todo o Brasil tentaram desenvolver narrativas sequenciais de 24 páginas em 24 horas.

Capa de "Sangra", de AnaLu Medeiros

Capa de “Sangra”, de AnaLu Medeiros

A autora AnaLu Medeiros respondeu algumas perguntas d’O CHAPLIN sobre a produção de “Sangra” e seu trabalho artístico autoral. Confira:

O CHAPLIN: Como foi participar do desafio “24 horas de quadrinho”?

Foi REALMENTE um desafio, já que eu fazia os “quadrinhos de um quadro só” do sapo e tirinhas. Nunca tinha feito uma história completa – e tão grande – em arte sequencial. Além da novidade, teve o desgaste tanto físico como mental. No fim da vigésima hora eu já tava passando bem mal… Mas valeu a pena.

AnaLu Medeiros, autora de "Sangra"

AnaLu Medeiros, autora de “Sangra”

O CHAPLIN: A narrativa que você conta é um tanto intimista. Houve alguma inspiração especial para a história?

A gente não pode criar nada antes do desafio, no máximo pensamos num tema, mas não podemos desenvolver a trama nem os personagens. Nas vésperas do dia de desenhar eu estava em um bar com uma amiga e ela me contou que a mãe dela na verdade não se chamava Sandra e já tinha trabalhado em um circo. Achei interessante e decidi trabalhar em cima disso. O formato de entrevista eu escolhi porque achei que seria uma boa maneira de controlar o desenrolar da trama no improviso. E aí tem outros fatos da minha vida envolvidos também… Relacionamentos passados, meu relacionamento mais recente, o falecimento do meu primo… Mas não é tudo meu. Algumas partes, como a relação dela com o pai, meio que nasceram sozinhas. Foi uma coisa que eu achei fantástica criar sob essas condições, alguns acontecimentos da história parecem surgir naturalmente, sem que eu tenha pensado neles.


O CHAPLIN: 
O que você gostou e o que não gostou do resultado final de “Sangra”?

O que eu mais gostei foi de ter me descoberto como quadrinista, apesar de já estar trabalhando com isso há um tempo. De ter criado bem uma coisa fora da minha área de conforto. Não gostei da finalização dos desenhos, geralmente sou mais caprichosa, mas o tempo realmente não permitia. Também gostaria de ter colorido os desenhos, que é algo que ainda penso em fazer.

sangraO CHAPLIN: Por que transformá-la em um zine?

Valorizo muito a publicação impressa e acho que o zine foi ideal pra essa história porque ela tem esse caráter experimental. Gostei de fazer o “zinorme” também porque desengavetei alguns textos soltos que gosto e é interessante ver tudo compilado, pensar na sequência e na organização. Mais uma boa experiência nova, já que é meu primeiro zine.

O CHAPLIN: A obra passou por modificações em seu conteúdo para ser publicada? Alguma coisa foi acrescentada, mudada ou retirada?

Nenhuma modificação na trama ou nas falas. Como eu já disse, gostaria de colorir, mas o zine é preto e branco. Então apenas acrescentei alguns preenchimentos e retículas para enriquecer mais a finalização do desenho.

O CHAPLIN: Além de ilustradora e quadrinista você é arquiteta e vocalista de uma banda. “Sangra” é resultado de “tempo livre”, ou você se desdobra para encarar todas as atividades como trabalho?

Até o começo do ano passado eu encarava como tempo livre, até que decidi publicar regularmente online e abri o site, aí comecei a levar a coisa mais a sério. Comecei a estudar sobre quadrinhos e outras oportunidades surgiram. O que eu encaro mais como hobby é a música, mas arquitetura e quadrinho é trabalho. Mesmo quando não surgem oportunidades de trabalhos com terceiros eu me preocupo em manter minha produção autoral ativa – que é o que mais gosto de fazer. Talvez “Sangra” tenha reforçado isso em mim.

SERVIÇO:

Lançamento do fanzine “Sangra”
Local: Mahalila Café e Livros
Horário: Sexta-Feira, às 19h
Valor: R$10

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