O lugar é pequeno para um estabelecimento que costuma receber apresentações musicais e, talvez justamente por isso, se torne agradável e aconchegante para os frequentadores, que parecem ser “de casa”. O DoSol Mossoró, bar aos moldes dos points noturnos de tribos urbanas, localizado à lateral do Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, tem uma decoração original e um vibe peculiar, que só se assemelha, talvez, ao espaço de mesmo nome localizado num dos bairros mais tradicionais do Natal, a Ribeira.

Palco do DoSol Mossoró. Foto: Leila de Melo

O DoSol de Mossoró tem pouco menos de um ano de existência, mas já no período de abertura mostrou que tinha um diferencial com relação ao espaço de Natal: além da música de qualidade para quem curte rock, as boas vindas foram dadas com uma produção audiovisual sobre a cena de rock em Mossoró. O documentário era assinado pelos nomes por trás do projeto DoSol, entre eles Anderson Freitas, ou melhor, “Foca”, como é conhecido. Foca é produtor cultural (eventos, musical, audiovisual, etc.), empresário e músico atuante, principalmente, no Rio Grande do Norte.

Anderson Foca é o maior nome pro trás do DoSol e também um dos idealizadores do Cineclube DoSol. Foto: Andressa Vieira

Ele explica que, quando o DoSol Mossoró abriu suas portas, a dinâmica do local e as ferramentas as quais tinham acesso, paralelo ao largo acervo de filmes produzidos pelo DoSol (em média uns 500, que variam entre coberturas musicais, docs, e outros com temática sempre voltada para a música, todos disponíveis no canal do YouTube do DoSol), possibilitaram a criação também de um cineclube no local. Há três meses a primeira sessão oficial era exibida, com o convite de que as pessoas levassem travesseiros, almofadas, e o que mais lhes deixassem confortáveis para a experiência “de ver o filme junto”.

O teto do DoSol Mossoró presta homenagem à musica e ao cinema, unindo cartazes de bandas e shows às artes de alguns filmes. Foto: Andressa Vieira

As exibições acontecem, fixamente, todas as terças-feiras com um público que, em média, varia entre vinte e trinta pessoas. A curadoria dos filmes fica por conta do cinéfilo Hamilton Jr., que integra a equipe do DoSol Mossoró. O objetivo era movimentar o espaço, visto que, apesar de as sessões serem gratuitas, o bar também é aberto durante os momentos de exibição, e intensificar o viés audiovisual do DoSol, unindo a produção já existente também à atividade de exibição e formação de público. Contudo, sem fugir do foco do projeto, os filmes são sempre voltados de alguma forma para a música, seja diretamente ou através de uma trilha atraente para os frequentadores habituais do DoSol, a exemplo de algumas das últimas exibições: Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994), Clube da Luta (David Fincher, 1999), e Drive (Nicolas Winding Refn, 2011).

Anderson Foca. Foto: Leila de Melo

O Cineclube DoSol surge em um ambiente diferenciado do qual, geralmente, as ações cineclubistas costumam brotar. “Não é um grupo de cinéfilos, nós estamos agregando a arte do cinema para pessoas que gostam de música. A proposta é, mais uma vez, como fazemos na música, a formação de plateia, mas para o cinema”, explica Foca. Por esse motivo, ainda não há uma discussão mais aprofundada pós-exibição sobre os títulos escolhidos (característica da atividade cineclubista), pois, segundo Anderson, “o público do Cineclube ainda está em formação, e esse contato inicial é o que a cidade precisa para hoje. Após um resultado primário, veremos uma nova abordagem para as sessões”.

Vale ressaltar que, apesar de Mossoró ter sido um polo forte durante a época áurea dos cinemas de ruas e mesmo de atividades cineclubistas, o cinema comercial em Mossoró só retornou há pouco menos de três anos, quando cinco salas da rede Multicine foram instaladas no West Shopping. Portanto, o novo público de cinema em Mossoró ainda está engatinhando e o Cineclube DoSol surge como um possível parceiro para esse desenvolvimento.

Um dos espaços do DoSol que homenageiam o cinema, com uma cena do clássico de Kubrick, O Iluminado. Foto: Andressa Vieira

Para Foca, o principal mérito do Cineclube nesse momento inicial é a relação e o contato com outras pessoas, o que provoca o compartilhamento de informações, opiniões e visões diferenciadas sobre um mesmo filme ou temática. Além das sessões fixas nas terças-feiras, sempre às 20h, ainda são promovidas exibições especiais, como por exemplo, durante os domingos do Mossoró Cidade Junina, provavelmente o maior evento anual que Mossoró sedia. Então, o banner que fica ao fundo do palco do DoSol é virado e se torna um telão branco, onde é projetada a atração da noite: dessa vez, um espetáculo cinematográfico.

Sabrina Bezerra, artista plástica e uma das organizadoras do DoSol Mossoró, faz intervenção na entrada do bar. Foto: Andressa Vieira

(Texto originalmente publicado na Agência Fotec de Comunicação Experimental)

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