A literatura de cordel é uma narrativa de característica popular pela qual tenho muito carinho. Seja por ter crescido ouvindo minha vó recitar alguns, com ares nostálgicos, ou mesmo por ter nascido em um dos estados do Nordeste onde a produção é mais forte, o Ceará. Penso que esse tipo de literatura, que tem uma força própria e peculiar, retrate a memória, a cultura e a história de um povo, e muito me amedronta a ideia de que poucos de nós, a juventude, se interessam por mantê-la viva.

Literatura de cordel (Foto ilustrativa)

Então, depois desse gigantesco nariz de cera que teve como intuito justificar a minha animação, convido a todos os natalenses – ou aqueles que estiverem por essas terras – a assistirem o lançamento do documentário Cordelísticas Nordestinas, que se dará estrategicamente no Dia da Poesia, próxima quinta-feira (14), às 18h, na Pinacoteca do Estado (Palácio da Cultura). O filme, produzido pelo coletivo de produtores independentes Caminhos Comunicação & Cultura, retrata a poesia popular, reunindo depoimentos de poetas e pesquisadores sobre os aspectos e a história do Cordel.

Pelo trailer, a produção parece não ser muito ambiciosa a nível técnico, mas cheia de sensibilidade e emoção, sobretudo por ser recheada de depoimentos.

Cordel

O Cordel é uma arte popular caracterizada por uma seqüência de versos que se encadeiam para contar uma história, e geralmente divulgada em folhetos amarrados em cordões, em bancas de revistas ou nas feiras livres.

Sobre “Cordelísticas Nordestinas”

Em aproximadamente 50 minutos de duração, o documentário destaca a figura do poeta sertanejo e os diversos aspectos que compõem a Literatura de Cordel. A tradição do cordel, as normas técnicas, a métrica, a poética, as xilogravuras, entre outros aspectos são evidenciados através de depoimentos de cordelistas e também de pesquisadores da cultura popular com foco no cordel nordestino.

“O cordel é poesia, é cultura popular, é história narrativa, é a arte de rimar, cordel é coisa da gente, é canção, rima e repente, tudo num mesmo lugar”. Essa descrição em forma de versos do cordelista José Acaci, que também é entrevistado no documentário, resume de forma lírica as formas de expressão que a Literatura de Cordel abrange, um dos aspectos retratados na obra.

Cordelíricas Nordestinas aborda também a história do cordel, uma arte originária da trovadoresca Europa medieval, que há muito tempo foi incorporada e ressignificada se constituindo numa das identidades do povo sertanejo.

O reconhecimento que a mulher vem alcançando dentro da produção do cordel é outro aspecto evidenciado no vídeo. São destacadas a sensibilidade, a inspiração e também a luta pelo seu lugar na literatura popular, já que o cordel durante muito tempo foi uma atividade em que predominava a figura masculina.

O período de produção, incluindo pré-produção, filmagens, edição e finalização durou cerca de 1 ano e seis meses. Foram entrevistados mais de 30 nomes representativos do cordel do Rio Grande do Norte e de outros estados nordestinos. Entre eles, os paraibanos Medeiros Braga, cordelista que publicou vários livros e mais de 80 títulos em cordel, e Bráulio Tavares, que além de compositor, também é cordelista e pesquisador dessa arte.

Guiando o passeio, os poetas potiguares Antônio Francisco, um dos cordelistas de grande destaque no Nordeste, e Crispiniano Neto, que escreve versos há cerca de 20 anos, falam a partir de suas vivências sobre as características do cordel nordestino.

A equipe também ouviu repentistas, com destaque para o pernambucano José Edinaldo dos Santos, mais conhecido como o Ceguinho Aboiador. Uma das gravações foi realizada na cerimônia de criação da Academia norte-rio-grandense de Literatura de Cordel, quando diversos membros da academia foram ouvidos pela equipe de produção.

No Rio Grande do Norte, além de Natal e Mossoró, foram realizadas filmagens em Parnamirim, Acari, Serra do Mel, Sítio Novo, Caraúbas, Santa Cruz e Venha-Ver. Além da gravação de depoimentos, foram acompanhados também eventos que fazem parte do universo dos cordelistas, cantadores de viola e repentistas. Em Mossoró, a equipe gravou durante o I Festival de Cantadores do Nordeste, evento que reuniu alguns dos melhores cantadores do Nordeste para apresentação de versos de improviso. E em Acari, a Pega do boi no mato também foi registrada pela equipe.

Trailer do documentário Cordelísticas Nordestinas

(com informações do release)

4 Responses

  1. Avatar
    F. Gomes

    Não pude comparecer ao lançamento do documentário ”Cordelísticas Nordestinas”. Mas, em razão do valor cultural do referido documentário, gostaria de adquiri-lo. Onde poderei encontrá-lo?
    E-mail: fgn_356@hotmail.com

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    • Avatar
      Andressa Vieira

      Oi, F. Gomes. Não somos responsáveis pela distribuição do filme, apenas divulgamos a informação do lançamento, mas eu já repassei o seu interesse para os responsáveis. Eles devem me dar algum retorno ou entrarem em contato diretamente com você 🙂
      Obrigada!

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