Me tire de casa. Me deixe ser visto. Me leve pra sair.

Que armário que nada! No século 21, cada dia vemos um pouco mais de paciência, tolerância e aceitação da diversidade sexual. E isso é um ótimo sinal. Sinal de que as pessoas estão começando a entender que todos somos um pouco diferentes, seja pela raça, religião, cidadania ou mesmo sexualidade. É cada vez maior o número de pessoas que se soltam das amarras sociais e tornam-se exemplo para aqueles que pensam em dar os primeiros passos de uma vida “sem” mentiras. Enquanto se escondem em guetos, se prendem a casamentos por conveniência ou mesmo se refugiam em suas casas e em seus quartos, com medo de serem apontados e reconhecidos, o mundo os desconhece.

Porém, na medida em que saem de casa e mostram que são tão normais como qualquer um, os adolescentes, jovens, adultos e idosos mostram que ser homossexual é normal. Que isso não lhes impede de serem bons alunos, profissionais capazes, pais amorosos, amigos atenciosos, vizinhos… É apenas uma pequena parte de um grande e importante conjunto. E para que sejam reconhecidos, não pela orientação sexual, mas pelo que são de verdade, é que eles dizem: Leve-me pra sair.

Produzido pelo Coletivo Lumika, o documentário “Leve-me pra sair” é uma maneira poética e brilhante de mostrar, sem firulas, artifícios ou demagogia, a real personalidade dos jovens gays no Brasil. Com coragem, criatividade, bom humor e muita simpatia, gays e lésbicas entre 16 e 18 anos colocam muitos adultos no chinelo, mostrando que não há do que se envergonhar em ser aquilo que querem e demonstrar carinho e afeto pela pessoa que bem entendem (seja ou não ela do mesmo sexo) e que isso não as torna menos importantes ou menos respeitáveis. Entre risadas, sorrisos tímidos, brincadeiras e histórias pessoais, aos poucos e de maneira muito natural, cada um revela o que pensa do próprio gênero, como são conhecidos nos ambientes que frequentam, como e por que resolveram “sair do armário” para seus pais e os preconceitos que sofreram ou ainda sofrem por optarem em ser quem realmente são.

Para melhor fluir o documentário, os entrevistados respondem algumas perguntas como “Qual sua opção sexual?” ou “Você tem medo?” e, a partir daí, surgem respostas muito interessantes, do tipo “às vezes, parece que só quem é homossexual tem sexualidade. Nunca vi alguém perguntar a sexualidade de alguém que é heterossexual, por exemplo”.

Ao longo dos 19 minutos, você vai criando uma certa intimidade com esse pessoal e sentindo que algumas vezes as coisas são, de fato, mais simples do que parecem. Mais do que isso, eles fazem você, espectador, ver como cada mundo é especial e diferente e como nós também podemos e devemos expressar nossas opiniões sem medo ou vergonha.

Eis aí a lição maior desses adolescentes: Nada de ficar em casa, se esconder, deixar-se tolher ou matar o que há de melhor em si por causa de opiniões ultrapassadas. Leve-os para sair! Conheça-os. Não apenas aqueles do vídeo, mas todos os outros ao redor. Comece a abrir a mente para um mundo diferente que se mostra. Mostre sua cara. Não se deixe prender. Permita-se ser livre.

É importante lembrar que este é um documentário formado por opiniões pessoais. Independente de serem verdades absolutas ou não, cada um dos que ali aparece tem uma opinião que não necessariamente precisa ser correta. Ouvir o que cada um diz e respeitar o que pensam é só mais uma das muitas maneiras de exercitar a tolerância.

Daí então, tome uma decisão, e saia de casa você também.