Quase todo ano surge aquela cinebiografia super badalada, que consagra algum ator ou atriz e bate o ponto em todas as principais premiações. Há dois anos, tivemos, por exemplo, “A Dama de Ferro”, produção que entregou a Meryl Streep mais um Oscar. Embora ainda seja deveras cedo para falar, algo me diz que, esse ano, é a vez de Naomi Watts e seu “Diana”, previsto para estrear em Outubro nos cinemas.

A campanha de marketing promocional vez fazendo um trabalho aplicado já há algum tempo. Desde o ano passado, mais ou menos por essa altura, que os primeiros releases foram divulgados e logo as fotos  iniciais foram inundando os principais sites e blogs de cinema. Nelas, Naomi Watts esbanjava beleza, carisma e semelhança com a “princesa do povo”, Lady Diana, que fora casada com o herdeiro da coroa inglesa, Príncipe Charles, e veio a morrer a 1997 em um acidente de carro.

Seguindo a proposta na qual têm se baseado as últimas cinebiografias, “Diana” terá um recorte temporal, que será os seus dois últimos anos de vida. O filme promete trazer detalhes íntimos da vida de Lady Di, que são quase tabus considerada a posição social e política que a princesa ocupava. Um exemplo é a sua relação amorosa com o médico cirurgião Dr. Hasnat Khan (interpretado pelo ator britânico Naveen Andrews), que será bem explorada na película.

A direção do longa está por conta de Oliver Hirschbiegel, que já tem uma leve experiência no campo das biografias para as telas, com o filme A Queda – As últimas horas de Hitler (2004) e a direção de alguns episódios da série de TV Bórgia, que estreou em 2011 e continua ainda na grade de programação da Netflix. No currículo do diretor alemão ainda tem o filme Invasores (2007), com Nicole Kidman e Daniel Craig. Em geral, não há muitos parâmetros para comparação, e isso é bom pois as expectativas acabam sendo poucas no quesito direção. Dessa forma, ou Hirschbiegel continuará seu trajeto como um diretor sem muitos destaques, ou terá a oportunidade de ser consagrado com esse projeto ambicioso, cujo roteiro é assinado por Stephen Jeffreys.

Naveen Andrews e Naomi Watts, em cena do filme

Precisamos admitir, contudo, que de todos os nomes do filme, o que mais se destaca é mesmo o da atriz Naomi Watts, escalada para o papel principal. Naomi já provou ser uma profissional excelente e comprometida e chegou a ser indicada ao Oscar e a outras premiações de peso por mais de uma vez, inclusive ano passado, por sua atuação no dramático “O Impossível”. Sem nem mesmo ver o filme, não me admira que seja novamente indicada esse ano, conhecendo o trabalho da atriz e dada a relevância da personagem que estará encarnando. Naomi é daquele tipo que não tem frescuras. Consagrou-se em Mulholland Drive (2001), um filme polêmico e um tanto abstrato, em parceria com o diretor David Lynch, e de lá para cá já fez dramas, comédias, suspenses, filmes de ação, e agora torço para que Diana seja a vitrine que lhe permitirá receber o reconhecimento que lhe é merecido.

Assistindo ao trailer do filme, o máximo de prévia a que podemos ter acesso por enquanto, pude elencar alguns pontos fortes para atentar no filme. A maquiagem é um deles. A protagonista ficou, ao meu ver, “no ponto certo”. Naturalmente assemelhada com Lady Di, Naomi Watts só precisou de uma arrumada no cabelo e uma maquiagem leve, sem muitos exageros, o que a deixou parecida com Diana, mas não irreconhecível como Naomi, como aconteceu por exemplo nas maquiagens de Meryl Streep em A Dama de Ferro e de Michelle Williams em Sete Dias com Marilyn, em que as atrizes ficaram idênticas às suas personagens. Isso exigirá de Naomi maior esforço no quesito interpretação, uma vez que o espectador precisará de mais que a maquiagem para ser convencido de que a atriz é a princesa de Wales.

Também me agradou os espaços escolhidos para as locações (e espero que tenhamos muitas e belas locações no filme) e a trilha sonora de David Holmes (Onze homens e um segredo), de que o trailer traz uma boa prévia. É muito bom ver Naomi Watts esbanjando o seu sotaque britânico (a atriz nasceu na Inglaterra), que vinha sendo moldado para algo menos carregado em suas últimas produções hollywoodianas. A equipe de figurino parece ter caprichado também, sendo a foto de divulgação do cartaz do filme baseada em um vestido verdadeiro de Diana.

Lembro que a princesa está no ranking das celebridades internacionais mais populares, tendo sido sua morte um motivo de lamento e alvo de atenção em todo o mundo. Resta-nos esperar até Setembro para saber se minhas boas perspectivas terão sido certeiras ou se a vida de Diana (que não precisa de muito esforço para ser transformada em um excelente roteiro cinematográfico) não terá uma representação a altura nas telonas.

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