Set&Notas: Some kind of monster

Quatro músicos. Um velho quartel chamado Presidio. St. Anger, Metallica. Lançado em 2004 pela dupla de cineastas joe Berlinger e Bruce Sinofsky, o documentário registra o período em que Kirk Hammet, Lars Ulrich, James Hetfield e Bob Rock alugaram o Presidio para a criação do décimo primeiro álbum da banda, o St. Anger. Berlinger e Sinofsky já haviam negociado com a banda antes, na trilha sonora de Paradise Lost, e desejavam fazer um documentário sobre o Metallica, mas sempre havia a desculpa de que não estavam prontos para uma exposição a esse nível. Quando foram chamados para gravar, no entanto, a banda não poderia estar num momento mais vulnerável: O vocalista da banda, James Hetfield, decide largar tudo e procurar ajuda psiquiátrica em um centro de reabilitação, o baixista Jason Newsted sai do Metallica, o que dá vazão às lembranças da morte de Cliff Burton (primeiro baixista da banda) e um luto não permitido por imposição deles mesmos, além de brigas entre os integrantes e Dave Mustaine (vocalista do Megadeth) e o doloroso processo judicial contra a Napster, programa de compartilhamento de músicas na internet.

James Hetfield, Lars Ulrich e seus respectivos filhos em cena do documentário. 

Some kind of a monster deixa de ser mera ferramenta promocional do St. Anger, inicialmente idealizado pela dupla de cineastas, destrói brutalmente as muralhas do egocêntrico e opressivo heavy e trash metal para se tornar um estudo sobre o homem em crise: Matando deuses e transformando-os em pessoas, invocando seus fantasmas e perdoando tanto a eles como a si mesmos, substituindo a genialidade musical pelos erros humanos, trocando a atitude Metallica pelo ser Metallica. Assistir Some king of monster é participar da criação do St. Anger e conhecer a personalidade de cada músico a fundo.

    “(…) Identificar que cada um de nós, como pessoa, é mais importante que a coisa Metallica, a máquina e a força criativa. Certamente passei por isso na reabilitação ; me libertei de tudo e me reconstruí. Crescer no Metallica era tudo que eu conhecia, e não percebia quando estava usando e manipulando isso. Mas sim, depois que o Jason saiu, e entrei na reabilitação, os outros caras pensaram em como controlar o futuro, porém ele não depende deles, não depende de nenhum de nós, e perceber isso foi importante. Fez com que ficássemos mais fortes e nos deu uma perspectiva real do quanto significamos um para o outro e o quanto não percebemos isso.”

James Hetfield.
Kirk Hammet e Lars Ulrich