O que esperar de: ‘Flores Raras’, de Bruno Barreto

Semana passada, falei sobre o livro Flores Raras e Banalíssimas, de Carmen Lúcia de Oliveira, que funde a história do relacionamento de quinze anos entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo e a escritora americana Elizabeth Bishop com a narrativa envolvente sobre um período histórico da cidade do Rio de Janeiro. A grata surpresa que tive ano passado é que o livro estava sendo adaptado para os cinemas, com o título de “Flores Raras” dirigido pelo experiente e já respeitado Bruno Barreto, e com previsão de estreia para a segunda quinzena de maio deste ano.

Glória Pires e Miranda Otto

Quando as primeiras notícias começaram a ser divulgadas, li algo sobre a dificuldade que o diretor estava encontrando de conseguir patrocínios para a produção. As empresas não queriam associar seu nome a um filme que tem como protagonistas um casal homossexual. Contudo, penso que a qualidade da produção e os nomes envolvidos tenham servido de alguma coisa nessa hora. Lota será interpretada por uma atriz de carreira consolidada e estimada: a brasileira Glória Pires. Já Elizabeth será interpretada por uma atriz australiana, a elogiada Miranda Otto. E a direção dispensa comentários. Bruno Barreto já está beirando os cinquenta anos de experiência como diretor de filmes, e os títulos que levam a sua assinatura incluem produções hollywoodianas.

Bruno Barreto e Glória Pires em gravações

O conhecimento eclético de Bruno acerca do cinema mundial foi essencial para a produção, em que teremos uma história que se passa, principalmente, no Brasil, mas não completamente brasileira. No livro, explicita-se o idioma de comunicação de Elizabeth e Lota, que era o inglês. Ao que parece, Bruno Barreto e os roteiristas Carolina Kotscho (brasileira) e Matthew Chapman (inglês) respeitaram essa característica e as cenas do casal serão faladas no idioma da escritora americana.

Bruno Barreto e Miranda Otto

O longa é um projeto de Bruno Barreto desde 2009, quando sua mãe, Lucy Barreto (que também é produtora do filme), lhe propôs fazer o filme sobre Lota e Elizabeth. Glória Pires foi escalada desde o início para a sua participação na produção que, inicialmente, levaria o título “A arte de perder”. Com um ano de atraso (as gravações que estavam previstas para 2011 apenas saíram em 2012), o filme promete não desapontar. O elenco viajou para Nova York, onde gravou algumas cenas, e no Brasil, há cenas no Rio de Janeiro, em uma casa projetada por Niemayer com jardins de Burle Marx, e em Ouro Preto, além de outras locações.

Estou ansiosa para a estreia de “Flores Raras”, tanto por ter me encantado pelo livro, quanto por apostar que Bruno Barreto terá competência suficiente para traduzir os sentimentos apresentados na obra literária para as telonas. “Flores Raras” parece ser um filme sincero e honesto, feito com paciência, alguma dificuldade e muito esforço, prezando sobretudo pela qualidade da produção. O elenco, que deu algumas entrevistas no decorrer das gravações e após elas, demonstra confiança no projeto e um bom entendimento enquanto grupo, apesar da aparente torre de Babel (Brasil, Austrália, Estados Unidos e Inglaterra estão presentes no filme).

Gravações em Nova York

Além disso, a fotografia tem sido elogiada, e eu, particularmente, espero um show de locações e exposições arquitetônicas, visto que essa é uma temática central do longa. Além de Glória Pires e Miranda Otto, ainda fazem parte do elenco Tracy Middendorf como Mary, amiga do casal,  Marcello Airoldi como o governador Carlos Lacerda, e Treat Williams como Robert Lowell, amigo de Elizabeth. Agora é esperar até a estreia para ver no que vai dar a união de uma boa história, um bom diretor, bom elenco, bons roteiristas e bom gosto! O resultado parece óbvio.

Tracy Middendorf,  Miranda Otto, Bruno Barreto e Glória Pires